Funed leva ciência, saúde pública e empoderamento feminino para o Pint of Science

Os desafios da mulher na ciência, o uso do veneno de aranhas na produção de antídotos e a importância das vacinas para a saúde pública e coletiva. Estes foram os temas que as pesquisadoras Clara Guerra e Luciana Silva, da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD), e Shirley Lasmar, da Diretoria Industrial (DI) da Fundação Ezequiel Dias (Funed) apresentaram na quarta edição do Pint of Science, em Belo Horizonte, nos dias 21 e 22/05.

 

Tem mulher na ciência, sim!

Mulher, negra e cientista. Com este perfil raro em uma única pessoa, em se tratando da realidade da mulher ao longo da história, a pesquisadora Luciana Maria Silva participou do painel “Tem mulher na ciência, sim!”, ocorrida na terça (21/5), na Casa Híbrido, em que ela e mais duas pesquisadoras contaram suas trajetórias no universo científico, que ainda hoje tem maior participação e abertura para os homens. “Cerca de 90% da pesquisa científica no Brasil é feita na universidade pública. Somente 3% do empreendedorismo no mundo é feminino”, apontou a pesquisadora, “O que me trouxe até aqui foi a minha teimosia”.

Graduada em biologia, Luciana se interessou pela célula logo em sua primeira aula da graduação, de citologia. “Quando assisti àquela aula eu me apaixonei pela célula e ali começou a minha busca por ela, por estudá-la, por entender como uma unidade tão perfeita podia se tornar tão maléfica e ameaçar a vida de uma pessoa no caso de um câncer”. Há dez anos, é chefe do Serviço de Biologia Celular da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed e toda sua vida acadêmica foi dedicada ao estudo da célula. O painel apresentado por Luciana foi dividido com as pesquisadoras Fernanda Tonelli, do Instituto Nanocell, e Grace Schenatto Pereira Morais, da UFMG.

 

Vacinar, eis a questão

O Brasil é referência mundial na produção e distribuição de vacinas. Porém, nos últimos anos, muitas pessoas passaram a questionar a sua eficácia e a real necessidade da sua distribuição. Dúvidas se a vacina é segura e necessária foram debatidas no painel “Vacinar ou não vacinar? Eis a questão que aconteceu na noite de terça-feira (21/5), na Cantina do Lucas com as pesquisadoras da Funed Shirley Lasmar e o pesquisador da Fiocruz / Minas Olindo Assis Martins Filho.

A pesquisadora Shirley Lasmar não tem dúvidas quanto à importância das vacinas para a saúde individual e coletiva, “a vacina é um direito e uma responsabilidade, porque ela é uma proteção individual e coletiva: quanto mais gente se vacina, maior a proteção para toda a população. Se pararmos de vacinar, as doenças voltam”. A pesquisadora ressaltou que com exceção da água potável, nenhuma outra modalidade, nem mesmo antibióticos, teve tanto efeito na redução da mortalidade e crescimento da população como as vacinas.

É tão sério e impactante o movimento antivacina que a Organização Mundial de Saúde o incluiu na lista de dez maiores ameaças para a saúde mundial.

 

Quem tem medo da aranha?

Clara Guerra falou sobre uso de veneno de aranha para tratamento de doenças. Três mil e seiscentas aranhas. Este é o número necessário para se obter a quantidade de veneno suficiente para produção de 270 ampolas de soro para tratamento de picada de aranha. Quem esteve presente no último dia do Pint of Science do Filé Espeto & Cia, ocorrido ontem (22/5), pôde assistir ao painel sobre uso de veneno de aranha para tratamento de doenças, apresentado pela pesquisadora da Funed, Clara Guerra Duarte, e a professora aposentada da UFMG e atual pesquisadora da Santa Casa de Belo Horizonte, Maria Elena Garcia. As pesquisadoras falaram sobre o uso do veneno da aranha para a produção de seu próprio antídoto e também sobre outras propriedades encontradas no veneno, que servem para tratamentos, como as doenças oculares e a disfunção erétil.