Pesquisador da Funed é coautor de livro sobre Gestão e Gerenciamento de Resíduos

Um dos grandes problemas ambientais da atualidade, em particular em Minas Gerais, é a gestão de resíduos sólidos e seus impactos associados. A maior parte dos resíduos sólidos urbanos no mundo, 70%, ainda é destinada a aterros sanitários ou lixões, sendo 11% incinerados e apenas 19% reciclados. Mais da metade da população mundial não possui coleta regular dos resíduos sólidos urbanos. No estado, dos 853 municípios, somente 177 declararam possuir coleta seletiva em 2015.

Para investigar os problemas ambientais com impacto na saúde pública, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), desde 2007, realiza pesquisas sobre a gestão de resíduos, a relação de epidemias (como a dengue, febre amarela e diarreia) associadas ao saneamento e à presença de resíduos de medicamentos em efluentes, também chamada de “fármaco poluição”. Parte da  pesquisa será apresentada pelo gestor da Divisão de Ciência e Inovação da Funed, Marcos Mol, em cinco capítulos do livro “Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos”, que será lançado nesta quarta-feira (26/6), a partir das 19h, na Escola Superior Dom Helder Câmara.

São apontados em seus artigos os avanços, os retrocessos e os principais desafios da implantação da coleta seletiva no município de Belo Horizonte. De acordo com avaliação estatística de Mol, “foi confirmada uma situação de estagnação ou mesmo retrocesso do programa de coleta seletiva em Belo Horizonte, apesar de registrar gasto financeiro com gestão de resíduos superior à boa parte dos municípios mineiros e brasileiros”, relata o pesquisador em seu livro.

Os desafios apontados são, principalmente, a depredação dos contêineres e a transformação do local em depósito de lixo e consequente proliferação de insetos e roedores, uma vez que o material é recolhido com frequência semanal e não diária. É apontada pelo estudo a baixa adesão da população como determinante para o êxito de programas de coleta seletiva. “É importante que campanhas de conscientização sejam implementadas como prioridade nas políticas de resíduos sólidos”, concluiu o pesquisador.

Em Belo Horizonte, no ano de 2015, a coleta de resíduos sólidos domiciliares porta a porta apresentou atendimento de 15% da população urbana, enquanto em Minas Gerais esta taxa foi em média de 66% nos 177 municípios que declararam possuir coleta seletiva. No Brasil, esta média é de 46%. No mesmo ano, somente 1% dos resíduos coletados foi reciclado no período. Estima-se que 32%, ou seja, 217 mil toneladas sejam de materiais que poderiam ser reciclados. Deste 1%, somente 0,68% foi recuperado na capital.

Também foram abordadas a coleta seletiva em Igarapé; modelo de indicadores de gerenciamento de resíduos em uma instituição pública; impactos ambientais da incineração de resíduos de serviço de saúde e modelo de auditoria ambiental em laboratórios de assistência à saúde.

Tabela de comparação entre as taxas de coleta seletiva em Belo Horizonte, Minas Gerais e Brasil em 2015 segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS): 
Local Cobertura de coleta seletiva porta a porta em relação à população urbana (%) Taxa de recuperação de recicláveis em relação à quantidade de resíduos domiciliares e públicos*
Belo Horizonte 15,02% 0,68%
Minas Gerais (média) 66,36% 7,87%
Brasil (média) 45,99% 1,42%

*a média é referente aos municípios que declararam possuir coleta seletiva e não ao  universo total de cidades. 

 

Serviço:

Lançamento do livro: “Gestão e Gerenciamento de Resíduos – Um Panorama em Minas Gerais”
Data: 26/6 (quarta-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Escola Superior Dom Helder Câmara
Rua Álvares Maciel 628, Sala 82 –  Belo Horizonte

Por Priscilla Fujiwara

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Publicado em: 24 de junho de 2019 - 15:33