Funed esclarece as principais dúvidas sobre as vacinas

O sarampo é uma doença que havia sido declarada erradicada no país pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2016. Hoje ela já circula em 19 estados, o que fez com que o país perdesse o certificado de país livre de sarampo. Mesmo com um método de prevenção seguro e eficaz, que são as vacinas, por que ainda assim seis pessoas morreram da doença neste ano? Cinco delas não tinham sido imunizadas, conforme Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde neste mês.

O Ministério da Saúde também registrou queda na cobertura vacinal contra a poliomielite, uma doença erradicada no Brasil em 1994. Desde 2013, quando tinha cobertura de 92,92%, o órgão passou a registrar queda progressiva ao atingir 71,9% de cobertura no ano passado. Em 2019, foi registrado até o dia 4 de setembro de 2019, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), apenas 45,89% de crianças imunizadas.

O PNI do Brasil é um dos maiores do mundo. Oferta 45 diferentes imunobiológicos para toda a população. Há vacinas destinadas a todas as faixas-etárias e campanhas anuais para atualização da caderneta de vacinação.  A Fundação Ezequiel Dias (Funed) é o único laboratório público que produz a vacina  Meningocócica C (conjugada) que faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Ela foi incorporada ao PNI em 2010, e desde então já houve uma queda de até 90% dos casos desse tipo de Meningite em faixas etárias especificas que receberam a vacina. Como a Funed tem um contrato com o Ministério da Saúde, em 2019, produziu aproximadamente um milhão de doses de vacinas, que são distribuídas para todo o país pelo órgão federal.

Devido ao dia 17 de outubro, Dia Nacional da Vacinação, data criada pelo Ministério da Saúde (MS) para reforçar a importância da vacinação para a saúde pessoal e também para a saúde de toda uma comunidade, a Funed promoveu uma campanha em suas redes sociais em que levantou as principais dúvidas da população e de seus servidores. A Diretoria Industrial da Funed topou o desafio de esclarecer e responder a essas perguntas. Confira abaixo:

Se a BCG não for aplicada logo após o nascimento, há algum risco para o bebê?
Funed: Não existe risco para o bebê se a vacina da BCG não for aplicada logo após o nascimento. Entretanto, a recomendação é que a vacina seja aplicada assim que possível para iniciar o efeito protetor para os bebês.

Fake news rolando que as vacinas têem mercúrio e que por isso tem muitos casos de autismo. Comente.
Funed:  As vacinas podem possuir conservantes e um dos conservantes utilizados é o composto orgânico tiomersal, que contém mercúrio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, não existe evidências que sugira que a quantidade de tiomersal (mercúrio) utilizada nas vacinas represente um risco para a saúde.
Essa absurda e errônea informação surgiu a partir de uma publicação feita em 1998, em que o médico britânico Andrew Wakefield afirmava ter encontrado relação entre o mercúrio utilizado na vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que o artigo continha dados falsos e o autor foi responsabilizado criminalmente, teve o registro médico cassado, o artigo foi retirado da revista que teve que se retratar.
A fundação americana Autism Science Foundation reforça que não há nenhuma evidência científica que associe o autismo a qualquer tipo de substância presente nas vacinas.

Tem alguma relação entre autismo e as vacinas?
Funed: Não tem. O Ministério da Saúde divulgou, em 2017, que não há evidências de relação entre as vacinas e o autismo. O estudo que levantou esse alarde foi considerado seriamente falho e o artigo foi, inclusive, retirado pela revista que o publicou. Um dos mais recentes estudos sobre o assunto foi publicado em abril de 2019. Ele foi realizado com mais de 650 mil crianças e deixa claro que não há qualquer associação entre as vacinas e o autismo.

A vacina pneumo 23 entrou, em 2019, no calendário de vacinação para adultos. Já está disponível?
Funed: Conforme Calendário Nacional de Vacinação, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza e é indicada a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP-23), nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs), para pacientes de alto risco, para população indígena e grupos-alvo específicos.

A vacina contra o HPV causa efeitos colaterais?
Funed: Efeitos colaterais ou reações adversas podem ocorrer com o uso de qualquer tipo de produto, até mesmo alimentos, por exemplo, quando apresentamos alergias. A Organização Mundial de Saúde publicou, em 2017, um relatório afirmando que a vacina contra o HPV é extremamente segura. Os efeitos adversos da vacina contra o HPV, quando presentes, são leves e autolimitados. Geralmente são reações no local da injeção como dor, inchaço, coceira, hematoma e vermelhidão.

Qual a diferença entre a vacina de injeção e a gotinha?
Funed: A vacina que é administrada na forma de gotinhas é a vacina oral. Geralmente são utilizadas para doenças contraídas pela ingestão de água e de alimentos contaminados. É o caso do rotavírus e do vírus da pólio. Assim, a gotinha faz o mesmo trajeto do vírus e estimula o organismo a produzir anticorpos. A vacina de injeção abrange um espectro maior de doenças e é a principal via de aplicação de vacinas. Para a maioria das vacinas a via injetável e a única escolha.

Como a vacina trabalha no nosso organismo?
Funed: Uma vacina estimula a produção de anticorpos no nosso organismo, estimula a nossa imunidade. Elas contêm partes dos mesmos microorganismos que causam a doença, ou contêm esses microorganismos enfraquecidos ou mortos. A vacina ensina e estimula o sistema imunológico a produzir os anticorpos (proteínas que agem como defesa no nosso organismo), a vacina faz as pessoas desenvolverem imunidade sem ficar doente, e quando a bactéria ou o vírus tentam causar uma doença para a qual a pessoa é vacinada, o organismo reage rapidamente produzindo os anticorpos.

Pessoas imunodeprimidas podem tomar vacinas com vírus atenuado?
Funed: Pessoas imunodeprimidas são mais propensas a terem infecções. No geral, é contraindicado pessoas imunodeprimidas tomarem vacinas com vírus atenuado. Entretanto, o médico dependo do caso concreto tem melhor condição de avaliar se aguarda a melhora da imunidade do paciente antes de se receber a vacina ou o risco que a pessoa está submetida de ser infectado pela doença. São exemplos de vacinas com vírus atenuado: Febre amarela, Herpes zoster, Tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) e Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

A Funed irá produzir a vacina meningocócica acwy também, já que o SUS já confirmou que irá adota-la em seu programa oficial de vacinação?
Funed: A Funed como conhecedor e fornecedor da Vacina meningocócica C conjugada para o Ministério da Saúde, tem um projeto de incorporação da vacina Meningocócica ACWY em seu portfólio. A Funed está estudando a viabilidade e qual seria a melhor forma de incluir a Vacina Meningocócica acwy. Entretanto, cabe ressaltar que no Brasil, a maior prevalência continua sendo das infecções do tipo C e o SUS ainda não adotou a vacina ACWY no Programa Nacional de Imunização.

A imunidade proporcionada por elas é melhor do que a oferecida pelas infecções naturais?
Funed: Segundo a OPAS, “as vacinas interagem com o sistema imunológico e produzem uma resposta imunitária similar àquela gerada por infecções naturais, mas sem causar adoecimento e sem colocar a pessoa imunizada em risco de sofrer as possíveis complicações de uma enfermidade. Por outro lado, o preço a se pagar pela imunização por meio da infecção natural pode consistir em disfunção cognitiva na infecção por Haemophilus influenzae tipo B, condições congênitas no caso da rubéola, câncer hepático na hepatite B ou morte por complicações relacionadas ao sarampo, ao vírus do papiloma humano, ou influenza gripal”. Dessa forma, a imunidade proporcionada pelas vacinas e pelas infecções naturais é a mesma, porém a imunidade proporcionada por vacina oferece menor risco.

Uma criança pode receber mais de uma vacina por vez?
Funed: Sim. O Calendário Nacional de Vacinação prevê a aplicação de diferentes vacinas em uma criança no mesmo dia. O profissional de saúde capacitado sabe quais as vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia. Geralmente, é recomendado a aplicação de diferentes vacinas em locais distintos na criança, como uma vacina na perna esquerda e outra na perna direita, por exemplo.

Além disso, sob supervisão da Assessoria de Comunicação Social da Funed, a bic júnior Laura Romano também preparou uma entrevista sobre o movimento antivacina, o papel da Funed neste contexto, a segurança e qualidade no processo de fabricação das vacinas, entre outras dúvidas sobre a vacina de sarampo, tríplice viral, HPV e influenza, confira!

Laura Romano: Como lidar com o movimento antivacina atualmente no Brasil? Em sua opinião, por que o movimento antivacina ganhou tanta força?
Funed: Esta é uma pergunta complexa para se responder. O movimento vem aumentando no mundo inteiro, não só no Brasil. Quando comparamos os Estados Unidos e a Europa com o Brasil, acreditamos que aqui, apesar de possuir um dos maiores e melhores programas de vacinação do mundo, existe a possibilidade de se instalar um grave problema de saúde pública com esse movimento.
O investimento em campanhas educativas contra o movimento antivacina, por exemplo, vem sendo feito pela Austrália na tentativa de minimizar os danos que o movimento causa. Para lidar com esse movimento é importante uma maior aproximação dos cientistas com a população na divulgação esclarecida dos benefícios da vacinação e a divulgação de informações corretas que devem ser reproduzidas por profissionais de saúde às pessoas. Precisamos sair do meio científico e ir para a mídia, para as redes sociais, para as escolas, universidades, envolvendo todos no trabalho contra esse movimento que para nós é absurdo e altamente danoso.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca o movimento antivacina entre os dez maiores riscos à saúde global. O movimento surgiu a partir de uma publicação com conteúdo falso nos anos 2000. Ganhou forças a partir de informações falsas de websites, redes sociais e mídia. A desinformação e informações erradas sustentam o movimento na internet e se fundamentam em conteúdo enganoso que prejudicam as pessoas.

Laura Romano: Qual o papel da Funed e quais ações podem ser feitas pela instituição, como produtores de pesquisa e de vacinas, para contrapor o movimento antivacina?
Funed: A Funed tem o papel primordial de divulgar informações científicas e corretas sobre as vacinas. Não apenas por ser uma indústria produtora e detentora de informações científicas, mas também por ser uma empresa que tem um papel de cunho social, o que reflete em sua missão – “Participar do fortalecimento do SUS, protegendo e promovendo a saúde”. Podemos contrapor o movimento antivacina divulgando informações corretas em diferentes mídias, enviando profissionais para eventos com o público e mostrando os resultados positivos das vacinas, que no caso especifico da Meningite C, por exemplo, desde 2010, quando a vacina foi incorporada no Calendário Nacional de Imunizações, já houve uma queda de até 90% dos casos desse tipo de Meningite em faixas etárias especificas que receberam a vacina.

Laura Romano: O processo para se fabricar e aplicar uma vacina é seguro?
Funed: Aqui são duas perguntas diferentes com uma interseção que é a qualidade das vacinas produzidas. As vacinas são seguras e eficazes. Como as vacinas são dadas a milhões de pessoas saudáveis – incluindo crianças – para prevenir doenças graves, elas são produzidas e mantidas com os mais elevados padrões de segurança.
A responsabilidade pela qualidade, segurança e eficácia de uma vacina é do fabricante, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem procedimentos para assegurar que os fabricantes e os produtos, importados ou nacionais, cumpram com todos os requisitos, de acordo também com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Como exemplo, podemos citar as análises de controle de qualidade feitos pela indústria, liberações de lotes para uso após avaliação do Instituto Nacional de Controle de Qualidade – INCQS do Ministério da Saúde, inspeções da Anvisa nos fabricantes para avaliação de boas práticas de fabricação, concessão de licenças a fabricantes e distribuidores, autorização de estudos clínicos e emissão do registro do produto.
Além do mais, uma vez que há um registro da vacina e esta é recomendada para uso, ela é monitorada pela agência regulatória de seu país quanto a qualidade e segurança.
Para assegurar a qualidade da imunização, ao aplicar uma vacina em uma pessoa, é preciso ser analisados os “11 certos”, referentes ao produto e ao paciente, para que a administração seja segura. São eles: prescrição/indicação certa, data certa, paciente certo, vacina certa, validade certa, dose certa, via e local de aplicação certos, orientação certa, temperatura certa, armazenamento certo e registro certo.

Laura Romano: Você poderia explicar os casos de pessoas que têm reações adversas às vacinas, por que isso acontece? Por que algumas pessoas se apontam prejudicadas pela vacina chegando até mesmo a receber uma indenização do governo? Qual a probabilidade de uma pessoa ter uma reação tão grave à vacina?
Funed: As reações adversas podem ocorrer com o uso de qualquer tipo de produto, até mesmo alimentos, por exemplo, quando apresentamos alergias. As reações adversas pós-vacinação acontecem devido aos aspectos relacionados à própria pessoa ou aos produtos. Podem-se considerar os componentes da vacina, sua qualidade, os materiais usados para a administração da vacina e a relação de tudo isso com a condição orgânica das pessoas que são vacinadas. O número de pessoas que apresentam reações adversas é reduzido. Se não vacinadas, podem ter graves doenças que resultam em mortes.
Cada vacina tem reações adversas intrínsecas a ela mesma. Torna-se importante entender que se uma vacina apresentar reações tão graves e frequentes ela é retirado do mercado. Logo, a probabilidade de reação extremamente graves às vacinas é infinitamente menor do que a de apresentar a doença caso não seja vacinado.

Laura Romano: Como a vacina é produzida?
Funed: A produção de uma vacina é um processo complexo que requer um cuidado extremo. Em síntese, pode ser dividida nas seguintes etapas:

  • Geração e isolamento do antígeno: O primeiro passo para produzir uma vacina é gerar o antígeno que desencadeará a resposta imune. Para esse fim, as proteínas ou o DNA do patógeno precisam ser cultivados e coletados. Em seguida, o antígeno será separado das células e/ou isolado das proteínas.
  • Purificação: Em uma segunda etapa, o antígeno precisará ser purificado para produzir um produto de alta pureza / qualidade. Isto será realizado usando diferentes técnicas para purificação, como a separação por tamanho, distinção de propriedades físico-químicas, afinidade de ligação ou atividade biológica.
  • Formulação e adição de outros componentes: A próxima etapa trata-se da formulação e pode incluir a adição de adjuvantes, que é um material que melhora a resposta imune do receptor a um antígeno fornecido. A vacina formulada com todos os componentes é misturada uniformemente, envasada e selada em frascos ou seringas estéreis.
  • Embalagem e Distribuição: Depois que a vacina é colocada em frascos ou seringas, ela é rotulada e embalada. Todos os processos descritos acima deverão cumprir os padrões definidos para Boas Práticas de Fabricação, que envolverão vários controles de qualidade e uma infraestrutura adequada. Finalmente, a vacina é distribuída para a sociedade.

Laura Romano: Como funciona o sistema imunológico de uma pessoa após a vacinação?
Funed: Quando uma bactéria ou um vírus invade o organismo de uma pessoa, o sistema imunológico produz anticorpos (proteínas de defesa) para tentar combater esse invasor. Acontece que o sistema imunológico demora a produzir anticorpos quando é invadido pela primeira vez por aquela bactéria ou vírus, e não dá tempo do organismo se proteger. Algumas bactérias e vírus, como a bactéria Neisseria meningitidis, que causa meningite meningocócica e a doença meningocócica, causam doenças tão cruéis que resultam em sequelas ou morte. Em algumas doenças em que a cura é possível, quando a bactéria ou o vírus tentam invadir o corpo novamente, anos após a primeira infecção, o sistema imunológico produz anticorpos mais rapidamente porque reconhece o invasor, ou seja, o organismo da pessoa está protegido, e proteção é chamada de imunidade.
O que a vacina faz é estimular essa imunidade. Ela não contém os mesmos microorganismos que causam a doença, mas partes deles, ou os contêm enfraquecidos ou mortos. A vacina ensina e estimula o sistema imunológico a produzir os anticorpos que levam à imunidade. A vacina faz as pessoas desenvolverem imunidade sem ficar doentes, e quando a bactéria ou o vírus tentam causar uma doença para a qual a pessoa é vacinada, o organismo reativa o processo de proteção rapidamente produzindo os anticorpos.

Laura Romano: Qual é a relação entre a vacina HPV e os casos de paralisia e dores nas pernas relatadas pelos adolescentes que tomaram a vacina?
Funed: A Organização Mundial de Saúde publicou, em 2017, um relatório afirmando que a vacina contra o HPV é extremamente segura. O risco de reação alérgica é de 1,7 a cada um milhão de doses aplicadas. Os desmaios usualmente estão associados à ansiedade e ao estresse por tomar uma injeção e não aos constituintes da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, os efeitos adversos, quando presentes, são leves e autolimitados.

Laura Romano: Por que todo ano tem vacinas de gripe? Elas não são testadas?
Funed: Os vírus da gripe se modificam e originam novas combinações virais muito rapidamente. Devido a essas mudanças, é necessário criar vacinas diferentes para evitar que essas novas combinações promovam novos surtos. E é assim que todo ano temos uma nova vacina para imunizar a população com base na vigilância contínua de viroses de influenza. Essas novas vacinas anuais são definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que tem uma rede de laboratórios espalhados pelo mundo. Esses laboratórios vão isolando os vírus ao longo do ano e enviam para a OMS os subtipos para ela definir que cepa deve ser contemplada na vacina trivalente (H1N1, H3N2 e Influenza B) para que os laboratórios a fabriquem a partir dessa recomendação. Os testes com a vacina já foram feitos antes da comercialização, e, em geral, o processo produtivo não sofre modificações para que elas sejam testadas novamente.
Uma vacina do ano corrente contra a gripe é a melhor maneira de ajudar a se proteger contra a gripe. A vacinação demonstrou ter muitos benefícios, incluindo a redução do risco de doenças gripais, hospitalizações e até o risco de morte relacionada à gripe em crianças.

Laura Romano: Existe alguma relação entre a vacina de sarampo e a síndrome do espectro autista?
Funed: Não existe relação alguma. Essa absurda e errônea informação surgiu a partir de uma publicação feita em 1998, em que o médico britânico Andrew Wakefield afirmava ter encontrado relação entre o mercúrio utilizado na vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que o artigo continha dados falsos e o autor foi responsabilizado criminalmente, teve o registro médico cassado, o artigo foi retirado da revista que teve que se retratar.
A fundação americana Autism Science Foundation reforça que não há nenhuma evidência científica que associe o autismo a qualquer tipo de substância presente nas vacinas.

Laura Romano: É verdade que as doses da tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) causam encefalite?
Funed: Não é verdade. A encefalite, uma inflamação do cérebro, é uma das complicações do sarampo em crianças e também é considerada uma reação adversa rara à vacina tríplice viral.  Segundo o Ministério da Saúde, 1 em cada 1000 crianças com sarampo pode apresentar encefalite, ao passo que, 1 em cada 1.000.000 a 2.500.000 de pessoas que receberam doses da vacina tríplice viral pode apresentar encefalite. Sendo assim, a ocorrência de encefalite em pessoas com a doença é muito mais frequente do que em indivíduos vacinados, e a vacina é a forma mais segura para interrupção da transmissão do vírus do sarampo, redução das internações e óbitos.

Laura Romano: Existe risco em imunizar gestantes, recém-nascidos e crianças?
Funed: A vacinação é essencial para prevenção de doenças em todos os grupos da população. Para algumas poucas vacinas, existem riscos associados e/ou não foram realizados estudos clínicos que comprovem a segurança para os três grupos específicos listados. Portanto, quando os riscos podem superar os benefícios de sua aplicação, elas não são indicadas para esses grupos específicos.
Mas há várias vacinas que comprovadamente devem ser feitas nesses grupos populacionais, como é o caso da vacina dTpa e da vacina da gripe em gestantes e da hepatite B e BCG em recém nascidos.

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Publicado em: 17 de outubro de 2019 17:00

Última atualização: 17 de outubro de 2019 17:42