Com o aumento das chuvas, Funed reforça a importância da prevenção e do diagnóstico da leptospirose

Febre, calafrios, dores musculares, cefaleia e dor ao redor dos olhos são os sintomas clássicos da leptospirose, uma doença grave que, se não for diagnosticada a tempo para o tratamento adequado, pode levar à morte. De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram registrados em Minas Gerais, de 2011 a 2018, 924 casos de leptospirose e 102 óbitos, o que representa uma letalidade de 11,04%. Com o período de chuvas, o risco de transmissão da doença aumenta. No primeiro trimestre de 2019, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) processou 27,1% dos exames realizados ao longo do ano. Das 1742 amostras, 472 foram analisadas em janeiro, fevereiro e março, sendo confirmados como leptospirose pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) 77 casos em 2019.

O tratamento para leptospirose é feito a partir de antibióticos e os sintomas podem ser acompanhados de complicações renais, hemorrágicas, cardíacas, respiratórias e oculares. Para complementar o diagnóstico clínico e a investigação epidemiológica, o exame laboratorial é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Minas Gerais, ele é realizado pela Funed, em seu Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que recebe as amostras encaminhadas pelos serviços de saúde de todo o estado. De acordo com a chefe do Serviço de Doenças Bacterianas e Fúngicas, Carmem Dolores Faria, a Funed é o único laboratório público no Brasil a oferecer simultaneamente todos os métodos para o diagnóstico da leptospirose: ELISA-IgM, Teste de Microaglutinação (MAT), Cultura de Leptospira e Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Por ano, o Lacen processa em média 1272 análises.

Transmissão e prevenção

Durante as enchentes, a urina de roedores contaminados, que circularam em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama. Qualquer pessoa que tiver contato com essa água ou lama contaminada pode se infectar. A doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira, que também pode estar presente na urina de outros animais como bois, porcos, cavalos, cabras, ovelhas e cães. Esses animais também podem adoecer e, eventualmente, transmitir a leptospirose ao homem. A doença pode ser transmitida após a permanência da pessoa por longos períodos em contato com água ou lama contaminada, mesmo com a pela íntegra, e se agrava quando há arranhões ou ferimentos na pele.

De forma geral, as principais medidas de prevenção da doença são o controle da população de roedores, a redução do risco de exposição às águas e lama de enchentes, medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a situação de risco, como o uso de luvas e botas; conservação adequada de água e alimentos; além de armazenamento e destinação adequados do lixo.

Fluxo de atendimento

Caso tenha os primeiros sintomas, após contato com água ou lama contaminada, a pessoa precisa procurar uma unidade de saúde mais próxima de sua residência, conforme explica a chefe do Serviço. “A Funed não recebe as amostras dos usuários diretamente. Sendo assim, a coleta e encaminhamento precisam ser feitos pelos profissionais de serviço de saúde que já são treinados e orientados para o procedimento”, afirmou Carmem Faria. Diante de um caso suspeito de leptospirose, os profissionais de saúde são orientados a coletar amostras para a realização de todas as metodologias disponibilizadas pelo Funed. A realização do exame de cultura de Leptospira é extremamente importante na identificação dos sorovares (diferentes tipos de leptospiras) envolvidos em casos suspeitos, surtos ou epidemias que circulam no estado.

O Laboratório é também referência para a Região Centro-Oeste e sua responsabilidade é supervisionar e realizar o controle de qualidade dos laboratórios nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além de capacitações quando necessário.

 

Por Priscilla Fujiwara

Imagem: Divulgação Fotos Públicas