Funed realiza exames laboratoriais dos casos de intoxicação exógena por Dietilenoglicol

Nas últimas semanas, um dos assuntos que predomina nos noticiários são os casos envolvendo a intoxicação pela substância Dietilenoglicol. O histórico teve início no dia 30 de dezembro de 2019, quando houve a notificação da ocorrência de um caso de paciente com insuficiência renal aguda e alterações neurológicas, internado em hospital da rede privada de saúde do município de Belo Horizonte. Um dia depois, foi notificado um segundo caso, com os mesmos sintomas, dessa vez internado em hospital filantrópico do município de Juiz de Fora. As causas e origens da doença ainda eram desconhecidas, por isso a importância de se realizar uma ampla investigação.

A partir do momento em que um caso é notificado e a suspeita é de uma doença ou agravo de interesse da saúde pública, ocorre o encaminhamento de amostras para o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (Lacen/MG), uma das quatro diretorias da Fundação Ezequiel Dias (Funed). A Fundação faz parte da Força-Tarefa Estadual, criada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para uma investigação conjunta dos casos.

Diante dos eventos notificados, o Lacen recebeu amostras biológicas para a realização de diferentes exames laboratoriais, a princípio, na tentativa de diagnosticar alguma doença infecciosa. A diretora do Instituto Octávio Magalhães, da Funed, Marluce Assunção Oliveira, explica que foram realizadas diferentes metodologias imunológicas (pesquisa de anticorpos, ou seja, da resposta do organismo do indivíduo a algum agente biológico infectante), microbiológicos (detecção e identificação de vírus, bactérias ou fungos) e moleculares (detecção e identificação de material genético de algum agente infectante, DNA ou RNA) para o diagnóstico de doenças infecciosas. Também foram realizadas análises para detecção de micotoxinas (toxinas produzidas por fungos). “Descobrir a origem de uma doença, assim como descartar possíveis causas logo no início de um evento gera informações importantes para as ações de investigação em saúde”, enfatizou a diretora.

Com a análise das primeiras amostras que deram entrada na Funed, foi possível excluir as suspeitas de algumas doenças como a dengue, zika, chikungunya, febre amarela, hantavirose, sarampo, hepatites virais, leptospirose, riquetisioses, meningites e doença de Chagas. “As amostras biológicas recebidas para análises foram sangue, líquido cefalorraquidiano, urina e também produtos para análises de importância sanitária, neste caso em específico, alimentos e bebidas”, exemplificou Marluce Oliveira.

Para complementar as análises realizadas pela Funed, a Superintendência de Polícia Técnica-Científica da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) tem realizado análises toxicológicas de amostras biológicas dos pacientes e produtos recolhidos pelas vigilâncias sanitárias municipal e estadual. Atualmente, foi realizado contato com a Polícia Civil para que seja feita a transferência para a Funed da tecnologia necessária para investigar a presença de Dietilenoglicol. O intuito é tornar mais ágil o processo de investigação.

Atualização dos casos

Com o objetivo de organizar as informações sobre a intoxicação exógena por Dietilenoglicol, a SES-MG criou um hotsite onde serão postadas todas as informações pertinentes ao agravo de saúde. Todos os boletins, notas técnicas, apresentações e demais documentos, serão publicados no hotsite www.saude.mg.gov.br/intoxicacaodeg.

Foi realizada nesta sexta-feira (17/1), coletiva de imprensa acerca dos casos. A coletiva contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSBH), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e da Fundação Ezequiel Dias (FUNED). Clique aqui para conferir a matéria completa.