Funed realiza diversas análises laboratoriais das doenças relacionadas ao Aedes

Nesse período de chuvas, a atenção deve ser voltada também para os reservatórios de água. Isso porque os focos mais frequentes do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, zika e chikungunya, são encontrados em depósitos de água, pratinhos de plantas, bandejas de ar condicionado e até mesmo no lixo. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) é responsável pela análise laboratorial das amostras de pacientes com suspeita das doenças transmitidas pelo Aedes e, somente neste ano de 2020, já foram realizadas mais de 2.600 análises para dengue, zika e chikungunya.

Nos laboratórios da Funed são realizados variados tipos de exames. “Trabalhamos com sorologia, que é a pesquisa de anticorpos específicos contra dengue, chikungunya e zika, a biologia molecular (RT-qPCR), que é a pesquisa de material genético de cada um dos vírus, e isolamento viral, que é a inoculação da amostra em cultivo celular, para replicação e identificação de cada um dos vírus”, explica o chefe do Serviço de Virologia do Laboratório Central de Saúde Pública da Funed, Marcos Vinícius Ferreira Silva. Tanto a biologia molecular quanto o isolamento viral são capazes de identificar o sorotipo do vírus da dengue e, neste ano, todas as amostras identificadas em Minas Gerais foram do sorotipo DENV2, o mesmo que prevaleceu em 2019.

Outro fato interessante observado por Marcos Vinícius Silva é a maior positividade nos resultados das amostras processadas neste ano, quando comparadas com 2019. Neste ano, até o momento, foram realizados 1.461 exames de sorologia para dengue. Desses, mais de 40% foram reagentes (593 exames positivos para a doença). Já em 2019, nesse mesmo período, foram realizados 764 exames de sorologia para dengue, sendo 27% reagentes (211 exames positivos para a doença). “Esse fato pode ser explicado pelo início precoce da temporada de chuvas em relação a 2019, à grande quantidade de indivíduos ainda susceptíveis ao DENV2 e às ações efetivas de vigilância epidemiológica e laboratorial, que garantem maior sensibilidade na detecção de novos casos de dengue”, ressalta o chefe do Serviço de Virologia da Funed.

Vigilância Epidemiológica

O Ministério da Saúde, por meio do Guia de Vigilância Epidemiológica (2009), recomenda que em períodos epidêmicos devam ser notificados todos os casos suspeitos, de acordo com o fluxo estabelecido para o município e estado, e realizada a sorologia amostral dos pacientes com dengue clássico. Isso porque a confirmação da maioria dos casos será feita pelo critério clínico-epidemiológico, após a confirmação laboratorial da circulação viral na área. Em geral, é estabelecido que seja colhida amostra de sangue de um a cada dez pacientes (10%) com suspeita de dengue, em territórios com epidemia instalada. A coleta mantém-se obrigatória para 100% dos casos graves.

Para a confirmação de casos suspeitos por critério clínico-epidemiológico, são levados em conta os seguintes critérios: avaliação da questão epidemiológica, ter casos confirmados laboratorialmente e confirmação da circulação viral na região. Avaliam-se também as condições clínicas do paciente, compatíveis para a doença, sempre remetendo à definição de caso suspeito.

Boletim do Aedes

Segundo dados divulgados nesta semana pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em 2020, até o momento, foram registrados 13.178 casos prováveis de dengue. Já em relação à febre chikungunya, foram notificados 287 casos prováveis. E ainda 98 casos prováveis de zika. Os números são menores que os do mesmo período do ano passado, considerado epidêmico, mas ainda sim requer cuidados da população. A atual campanha da SES-MG para controle do Aedes reforça a importância de cuidar da sua própria casa, para evitar a proliferação do mosquito. Saiba mais em: www.saude.mg.gov.br/aedes.