Funed no Controle de epidemias

O mundo passa por uma das maiores pandemias da história, provocada pela covid-19, e a Fundação Ezequiel Dias (Funed) trabalha, desde o início da situação de emergência, na realização de exames para o diagnósticos da doença. A Fundação, por meio do Instituto Octávio Magalhães (IOM), participa de ações integradas, junto à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e ao Ministério da Saúde (MS), no intuito de mitigar os impactos da doença no estado.

Fluxos e rotinas foram totalmente alterados para que a instituição consiga trabalhar durante a pandemia, ao mesmo tempo em que segue prestando outros serviços de igual relevância à saúde pública. Entretanto, esta não é a primeira vez que a Funed é chamada a atuar em epidemias. Como instituição centenária, desde a sua origem, ainda como braço do Instituto Manguinhos em Minas, a Funed já desempenha atividades no enfrentamento a diversas doenças. Nesse tempo, suas ações visavam ao controle da peste bubônica, aproveitando a experiência que Ezequiel Dias adquiriu com Oswaldo Cruz no controle da doença no Rio de Janeiro.

Décadas mais tarde, especificamente em 1974, a Funed foi convocada novamente, devido a uma epidemia de meningite no país. Nessa ocasião, o Ministério da Saúde instalou em cada estado da Federação um Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para coordenar os procedimentos de diagnóstico laboratorial.

Já entre os anos de 1987 e 1997, o IOM foi reconhecido por órgãos nacionais da área de saúde como referência nacional para a doença de Chagas. Dentro do projeto de controle de endemias no nordeste, atuou na vigilância internacional de riquetsioses, reforçando o trabalho da instituição no diagnóstico da febre maculosa.Laboratório do


IOM nos anos 1980. Foto: Arquivo Funed

Também nos anos 1990, a Fundação teve ação importante durante a epidemia de cólera. Havia muitos anos que não se tinha notícias da doença nas Américas. Os casos começaram no Peru e chegaram ao Brasil em 1992. A instituição realizou análise de águas e monitoramento de Vibrio cholerae, agente causador da doença. Até hoje, são feitas ações de monitoramento e controle de forma a atuar preventivamente.

Ao longo dos anos, a Fundação agiu em epidemias de febre amarela, como as que aconteceram nos anos de 2001 e 2017/2018. Além de realizar o diagnóstico de infecção pelo vírus da febre amarela, a Funed também analisa amostras de primatas não-humanos para confirmação da circulação do vírus.

Em 2010, a Funed trabalhou durante a pandemia de H1N1. A instituição é referência estadual para o diagnóstico de Influenza e outros vírus respiratórios. O processo começa com a triagem para saber se o paciente tem influenza A ou B. Caso a amostra seja positiva para influenza A, é possível detectar qual é o subtipo (H1N1 ou H3N2). Para as amostras de surtos, óbitos e unidades sentinela que apresentem resultado negativo, é feito ainda o processamento para outros vírus: parainfluenza 1, parainfluenza 2, parainfluenza 3, vírus sincicial respiratório, bocavírus, metapneumovírus e adenovírus.

A instituição também realiza análises para o controle em caso de surtos causados por outras arboviroses, como o causado pela chikungunya, em 2014; pela zika, em 2015; e pela dengue, em 2016. Como essas doenças estão sempre em circulação no país, a Fundação é responsável pela análise laboratorial das amostras de pacientes com suspeita das doenças transmitidas pelo Aedes.

A Fundação é responsável pelos exames de sorologia, que é a pesquisa de anticorpos específicos contra dengue, chikungunya e zika; de biologia molecular (RT-qPCR), que é a pesquisa de material genético de cada um dos vírus; e pelo isolamento viral, que é a inoculação da amostra em cultivo celular, para replicação e identificação de cada um dos vírus.

Enquanto instituição de saúde púbica, a Fundação mantem especial atenção à qualidade dos serviços prestados. Para isso, em 2000, foi criada a Unidade de Garantia da Qualidade e Biossegurança, para auxiliar os laboratórios no processo de certificação. Desde então, vários cursos foram implantados, como auditoria em sistemas de qualidade em laboratórios, metrologia, calibração, validação e normas técnicas. “Manuais e procedimentos operacionais também estavam sendo implantados. É nesse período que o IOM passa a coordenar a Rede Estadual de Laboratórios de Saúde Pública (Relsp) e várias atividades dos laboratórios da Funed são descentralizadas para o interior do estado”, conta Marluce. Hoje, esta mesma Unidade gerencia o processo de qualificação e capacitação da rede dos laboratórios colaboradores para o enfrentamento da covid-19.

Os trabalhos foram conduzidos de forma que, em 2008, a cultura da qualidade já era uma realidade no IOM. Nesse ano, houve a certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e a certificação na Norma ISO 17025 e 17023, para diversos ensaios destinados aos Laboratórios Públicos de Minas Gerais e do país. “Em 2010, a Funed foi certificada pela ISO 9001 e, em 2011, o IOM foi o primeiro laboratório brasileiro pré-qualificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como referência no controle de qualidade de medicamentos para o continente americano”, explica a diretora.

A Funed segue atuando no diagnóstico laboratorial de alta complexidade de dezenas de doenças que acometem a população, sendo em alguns casos o único laboratório no Estado de Minas Gerais a realizar alguns exames.  A média de produção anual da Fundação nos últimos anos tem sido de cerca de 500 mil análises/exames.

Marluce destaca que a Funed também atua na área de vigilância sanitária e ambiental. “Nosso Lacen é o responsável pelo monitoramento da qualidade dos alimentos, água para consumo humano e hemodiálise, saneantes, cosméticos e medicamentos consumidos pela população do estado, além de análises de produtos para saúde, contaminantes metálicos, entre outros sendo a única instituição autorizada a realizar as análises fiscais de produtos e serviços sujeitos ao controle sanitário”, afirma Marluce.

Nesses 113 anos de história, a Funed está presente na vida de cada mineiro, muitas vezes sem ser percebida – seja por meio da realização de exames para diagnósticos, análises de produtos seja nas análises ambientais e saúde do trabalhador – como no evento do rompimento da barragem de Mariana e Brumadinho .

A atuação da Fundação demonstra seu compromisso no fortalecimento do SUS, protegendo e promovendo a saúde e esses são apenas alguns exemplos de ações de vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e saúde do trabalhador que a Funed, por meio do IOM/Lacen/MG, realiza no seu cotidiano ao longo de 113 anos de uma história de desafios e vitórias, orgulho e dedicação, em especial à população mineira.