Funed – 113 anos depois

Ao longo do mês, você conheceu um pouco do histórico da Fundação, que hoje é referência para a sociedade

 

 

 

 

 

 

 

Funed em atuação durante o ano de 2020 / Imagens: Divulgação ACS

Produção de vacinas, de medicamentos, análises laboratoriais e pesquisas diversas – essas são algumas das diferentes frentes de trabalho da Fundação Ezequiel Dias (Funed), que no dia 3 de agosto completou 113 anos. Ao longo de todo o mês, foi feito um resgate dos principais fatos que marcaram a história da Funed e contribuíram para que ela se tornasse o que é hoje, referência para o Sistema Único de Saúde (SUS) não somente em exames das mais diversas doenças como também em pesquisas e desenvolvimento de insumos e medicamentos.

Na matéria de hoje, você vai conhecer como está estruturada a Funed e como ela evoluiu ao longo dos anos. Como o mundo passa, desde o dia 11 de março, por uma pandemia causada pelo novo coronavírus, como decretou a Organização Mundial de Saúde (OMS), nada mais atual que começar falando da diretoria responsável pelas análises laboratoriais de covid-19 pelo SUS em Minas Gerais.

É no Instituto Octávio Magalhães (IOM) da Funed, também conhecido como Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG), onde são realizadas as análises laboratoriais das doenças e agravos de interesse da Saúde Pública e o controle sanitário de produtos consumidos pela população mineira. Mais que realização de análises, o Instituto Octávio Magalhães vem desempenhando, ao longo de todos esses anos, papel de extrema importância para a vigilância em saúde, proporcionando, por meio de evidências laboratoriais, informações que subsidiam as tomadas de decisão para a prevenção, tratamento e controle de doenças infecciosas.

Entre os diagnósticos realizados pelo Lacen-MG, está a investigação de doenças como leptospirose, meningites, tuberculoses, febre maculosa, hantavirose, dengue, zika, chikungunya, HIV, doença de Chagas, leishmanioses, entre muitas outras. “Nossos profissionais têm atuado no esclarecimento de diversos surtos, epidemias e agora na pandemia de covid-19, experiências essas que têm tornado nossa equipe cada dia mais especializada para atuar no enfrentamento de situações de urgência e emergência”, reforçou a diretora do IOM/Lacen-MG, Marluce Oliveira.

Além disso, diversos produtos sujeitos ao controle sanitário passam pela Funed, como análises de amostras de águas para consumo humano, águas para hemodiálise, investigações de surtos de doenças transmitidas por alimentos, análises da qualidade de medicamentos, saneantes e cosméticos, e da qualidade de rótulos de embalagens de diversos alimentos. Ainda de acordo Marluce Oliveira, é importante frisar que a Funed está na retaguarda dos acontecimentos, mesmo quando as mesmas não são tornadas públicas, zelando pela saúde da população mineira.

“Somente neste ano, a Funed atuou em importantes episódios, como na investigação da intoxicação por dietilenoglicol, nos casos de dengue e leptospirose, doenças relacionadas ao período de chuva e altas temperaturas e, há cinco meses, está diretamente envolvida nas pesquisas e análises que abrangem a covid-19”, exemplificou a diretora do IOM/Lacen-MG. Marluce também ressaltou os trabalhos envolvendo surtos de doenças transmitidas por alimento em diferentes municípios mineiros, cujas amostras são enviadas para análise na Fundação. “Todo esse escopo conta com a dedicação da equipe de gestão da qualidade e biossegurança do IOM que, junto à área técnica, presa pelo atendimento às demandas de interesse da saúde pública com excelência e em tempo oportuno”, frisou a diretora.

Marluce destacou, ainda, o constante desenvolvimento de projetos de pesquisa e inovação aplicados ao diagnóstico laboratorial, em andamento no IOM, gerando, assim, conhecimento para melhor entender a relação entre agente-hospedeiro-ambiente e o melhoramento de produtos e serviços para a investigação laboratorial.

Vacina e medicamentos

A produção industrial da Funed é outra área de grande importância para a população. Responsável pelo fornecimento de medicamentos e vacinas ao Ministério da Saúde (MS), a Fundação firmou, recentemente, um novo contrato com o Governo Federal que mantém a posição da Funed como o único laboratório farmacêutico oficial do país responsável pelas doses da vacina Meningocócica C ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Até agosto, cerca de 10,5 milhões de doses da vacina foram enviadas para o MS, somente neste ano.

Foi também em abril deste ano que teve início o fornecimento do comprimido genérico Entecavir 0,5 mg ao MS. O medicamento é utilizado para tratamento, pelo SUS, de pacientes portadores de hepatite viral crônica B e foi desenvolvido internamente na Diretoria Industrial da Funed. Até o momento, já foram produzidos 12 lotes, totalizando cerca de quatro milhões de comprimidos, e estão programados mais cinco lotes do medicamento, a serem fabricados em setembro deste ano, para finalizar o contrato firmado com o Ministério de 5.610.900 comprimidos.

Além disso, foi publicada em agosto, a dispensa de licitação do Ministério da Saúde para a aquisição de 5.460.000 comprimidos de Talidomida 100 mg, para atendimento ao Programa Nacional de Hanseníase do MS. O medicamento é produzido com exclusividade pela Funed e as primeiras entregas estão previstas para os meses de setembro e dezembro de 2020.

Entre os produtos em desenvolvimento pela Diretoria Industrial (DI) da Funed, está a Talidomida Frasco, principal medicamento usado no tratamento de uma das reações da hanseníase, e o Captopril, indicado no tratamento de hipertensão arterial. O diretor Industrial da Funed, Bruno Pereira, detalha que no início deste ano foi realizado o envase de dois lotes-piloto de Talidomida 100 mg para os estudos de Estabilidade Acelerada e de Longa Duração, para solicitação de pós-registro com inclusão de nova apresentação para o produto. “Essa nova forma de apresentação do produto (em frascos) favorece a produtividade, em virtude da redução significativa nos tempos de processo de embalagem primária e embalagem final, quando comparado com o tempo de envelopamento dos comprimidos, que é o processo atual. Além disso, o novo processo como um todo utiliza um menor número de materiais de embalagem, entre outros benefícios”, afirmou o diretor.

Já quanto ao Captopril 25 mg, foi realizada, também neste ano, a embalagem de um lote-piloto do medicamento, fabricado em 2019, para estudo de estabilidade e peticionamento para regularização do registro. Os relatórios finais dos estudos de bioequivalência e de estabilidade já foram concluídos e, com esses documentos e outros dados, foi submetido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o peticionamento para regularização do registro do medicamento.

Pesquisa e Inovação

A Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) da Funed é outra área que contribui não somente para o conhecimento científico, mas também com toda a sociedade, por meio da relevância dos estudos em desenvolvimento e da troca de conhecimentos. A exemplo disso, o Núcleo de Inovação e Proteção ao Conhecimento (Nipac) recebe e encaminha diferentes parcerias para diversos temas e desenvolveu uma cartilha para instruir os pesquisadores sobre as parcerias. Também foi depositada, no mês de julho, uma nova patente, intitulada “Composição farmacêutica para tratamento de doenças oculares associadas à formação de trombos e coágulos em veias de retina e uso”. A invenção é dos pesquisadores Sílvia Fialho, Eladio Sanchez e Mayara Rodrigues, pela Funed; e Armando Cunha e Raquel Gregório, pela UFMG.

Mesmo no atual cenário de isolamento social, para que a população em geral também não fique longe do conhecimento que é gerado pelos programas Funed na Escola e Ciência em Movimento, foi criado o Funed em Casa: atividades na quarentena. Uma série de conteúdos voltados ao público infantil é postada nas redes sociais da Fundação, como uma forma de dar continuidade à popularização da ciência. Entre os temas, estão oficinas de animais peçonhentos feitos com material reciclável, curiosidades sobre ciências e diversos outros conteúdos, produzidos por pesquisadores e técnicos da Funed, com linguagem mais acessível e formato que tem como objetivo propiciar maior aproximação com o público.

Ainda no cenário de isolamento social, as ações de comunicação da ciência foram intensificadas e novos projetos de divulgação científica foram criados, como a série de podcasts “Casos e cases”; o “Cientistas da Funed” e a retomada do “Descomplicada Ciência”, que toda semana explica um termo científico sugerido pelo público, e o post é divulgado das redes sociais da Funed. A produção de artigos também merece destaque. Neste ano, até o mês de julho, 40 artigos foram publicados pelos pesquisadores da DPD.

Outra importante conquista para a Funed, coordenada pela DPD, foi a aprovação das propostas de bolsas de iniciação científica nos editais de 2020 do CNPq. As bolsas são dos Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), em Desenvolvimento Tecnológico (PIBITI) e no Ensino Médio (PIBIC-EM). “Há mais de 20 anos a Funed não era contemplada com bolsas de iniciação científica do CNPq. Essa foi uma grande conquista para a instituição, considerando o nível de exigência e concorrência do CNPq”, declarou a diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação, Sílvia Fialho.

Para Sílvia, além dos esforços dedicados à covid-19, tem-se dado andamento a todo trabalho da diretoria, para que as atividades finalísticas sejam cumpridas. “Hoje, temos servidores trabalhando presencialmente na Funed que exercem, em grande parte, trabalhos de bancada nos laboratórios. Já as atividades que podem ser feitas remotamente, como as aulas do Mestrado em Biotecnologia, foram retomadas por meio de videoconferência, de forma a dar continuidade ao ano letivo”, contou.

Gestão

Internamente, a Diretoria de Planejamento, Gestão e Finanças (DPGF) da Funed é a responsável por grande parte das obras na Fundação. Neste ano, foram finalizados importantes projetos como o do laboratório de plasma da Fazenda Experimental São Judas Tadeu, e foi concluída a reforma do galpão da Unidade I, proporcionando o cuidado com o bem público e deixando a área apta para outras atividades, uma vez que no local foi realizado o fechamento de vãos, pinturas, concretagens e impermeabilização.

Também no contexto de pandemia pelo novo coronavírus, a DPGF tem se movimentado para garantir não só o trabalho presencial de quem está na Fundação como também o trabalho remoto. Para isso, foi feita a instalação do novo sistema de segurança e gerência de rede, denominado Next Generation Firewall que possibilita, dentre várias coisas, um gerenciamento assertivo e seguro da rede de computadores, filtrando com mais eficiência os vírus e spams dos e-mails, melhorando, assim, a estabilidade de conexão interna e com a internet. “Nesse período da pandemia, esse novo sistema está permitindo a conexão externa de cerca de mais de 300 servidores em regime de teletrabalho”, afirma a diretora da DPGF, Hilda Mesquita.

“Mesmo diante desta pandemia que nos afronta, impondo formas alternativas de trabalho para que ações relevantes não sejam interrompidas, a Funed, com muita competência e sem deixar de lado em momento algum sua visão e missão compromissadas com a saúde pública neste país, não deixou de fazer suas entregas assumidas em metas institucionais por cada uma de suas diferentes diretorias. Áreas fins de produção de medicamentos, de vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental, de pesquisas básicas e aplicadas, além das áreas meio de suporte à viabilização das ações de funcionalidade de todas essas diretorias, estiveram sempre ativas e comprometidas para que os objetivos traçados fossem cumpridos”, afirmou o presidente da Funed, Maurício Abreu.