Conheça a evolução dos laboratórios da Funed

Saiba como era o primeiro laboratório da Funed e sua evolução até os dias atuais

Quando alguém fala com você que trabalha em um laboratório, qual imagem lhe vem à mente? Microscópios, tubos de ensaio, pipetas e, certamente, um pesquisador utilizando esses e muitos outros elementos no intuito de descobrir algo que faça a diferença na vida das pessoas. Na Fundação Ezequiel Dias (Funed), esse imaginário do mundo da ciência não é diferente. Mas será que ao longo dos seus 113 anos de existência, os laboratórios mudaram muito?

Na série Funed em Imagens desta semana, vamos conhecer como era o primeiro laboratório da instituição e como essa estrutura se modificou ao longo do tempo. Na história de vida de Ezequiel Dias, grande protagonista da idealização da Funed, soubemos que ele se mudou para Belo Horizonte em 1906, por orientação médica, uma vez que o clima seco e montanhoso da capital mineira era o ideal para o tratamento da tuberculose, que o acometia.

Após a mudança, Ezequiel montou, em um dos quartos de sua residência, um pequeno laboratório de microbiologia para pesquisas. Esse fato curioso nos faz refletir que o laboratório, e todo o conceito que ele representa, veio antes da inauguração da própria Funed, fazendo então parte de sua essência, ou em termos científicos, seu DNA. Vale lembrar que o laboratório, nessa época, era mais do que análise e diagnóstico. Era o local onde se fazia pesquisa e produção de vacinas, tudo em um mesmo ambiente. Era o espaço onde ciência e medicina experimental aconteciam!

A evolução dos laboratórios da Funed

 

Laboratório na primeira sede da Funed – quando foi fundada em 1907, a Funed era filiada ao Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz) e localizava-se na Rua da Bahia, onde hoje funciona a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Nas fotos acima, podemos ver Ezequiel Dias trabalhando no laboratório de bacteriologia, em 1910. No local, eram realizados exames, diagnósticos, pesquisas e produção de vacinas de doenças e de higiene, que tinham como abrangência, principalmente, animais da espécie bovina. Entre as doenças infectocontagiosas estavam a varíola e a Peste da Manqueira. Você sabia que a réplica deste laboratório se encontra aberta para visitação na sede da Funed*./ Imagens: Acervo Funed

 

Laboratório de Bromatologia – da Praça da Liberdade, a Funed, na época chamada de Instituto Biológico Ezequiel Dias, migrou para a Fazenda Gameleira, em 1940. Entre suas atividades, estava a seção de bacteriologia, em que eram realizados exames diagnósticos como coproculturas, werlfelix, hemoculturas, brucelose etc.; a seção de parasitologia, que realizava exames e pesquisa clínica, identificando a incidência de sífilis em Minas Gerais e pesquisa experimental com esquistossomose; a seção bromatologia, que trabalhava com pesquisa e análise de alimentos como manteiga, banha, café, óleos, refrigerantes, farinha de milho, cachaça, batata e outros; e, também, a seção água e esgoto, que analisava o teor de flúor e as águas minerais do estado. / Imagens: Acervo Funed

 

Laboratório de Saúde Pública – foi em 1974, devido a um surto de meningite no país, que as atividades dos laboratórios da Funed, na época já chamado de Instituto Octávio Magalhães, expandiram. A criação do Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG) significou um grande marco para a Funed, uma vez que além da expansão das atividades do serviço de bromatologia e do laboratório de águas, foram também incorporados às atividades do laboratório o diagnóstico e pesquisa de tuberculose e, logo em seguida, os trabalhos com cólera. / Imagens: Acervo Funed

 

Criação do SUS – com a promulgação da Constituição Federal, em 1988, e da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado em 1990 por meio da Lei Orgânica 8080, a Funed adaptou-se totalmente às novas diretrizes. O Instituto Octávio Magalhães (IOM) implantou novos serviços para dar suporte a ações em saúde coletiva, como o Laboratório Físico Químico de Água, o Laboratório de Virologia, o diagnóstico de fenilcetonúria, o diagnóstico laboratorial de febre maculosa e o diagnóstico sorológico de sarampo. Foi nessa época que ele foi também reconhecido como referência nacional para doença de Chagas. / Imagem: Acervo Funed

 

Laboratório de referência – já no final da década de 1990, o IOM amplia suas técnicas com o trabalho de isolamento do vírus da dengue e foi indicado pelo Ministério da Saúde para ser um dos laboratórios oficiais de análise de medicamentos genéricos, inaugurando assim o Laboratório de Análise de Medicamentos. Já em 2000, a IOM cria a Unidade de Garantia da Qualidade e Biossegurança, para auxiliar os laboratórios na certificação e registros, e passa então a coordenar a Rede Estadual de Laboratórios de Saúde Pública (RELSP), descentralizando assim várias atividades dos laboratórios da Funed para o interior do estado./ Imagens: Acervo Funed

 

Vigilância em Saúde – Foi a partir dos anos 2010 que a Funed destacou-se em mais uma atividade: a vigilância em saúde. O IOM atua no diagnóstico laboratorial de alta complexidade de dezenas de doenças/agravos que acometem a população, sendo que alguns tipos de exames são realizados unicamente na Funed. A média de produção anual da Fundação nos últimos anos tem sido de cerca de 500 mil análises/exames. Durante a atual pandemia de covid-19 não poderia ser diferente. A Funed é o laboratório público de referência no estado e vem realizando exames para diagnóstico da doença desde o início da pandemia. Do dia 12/3 até o dia 27/8, foram recebidas na Funed 105.576 amostras de casos suspeitos de síndrome respiratória. Dessas, 103.974 foram analisadas pelo método de RT-PCR em tempo real para covid-19 e já tiveram o seu resultado laboratorial liberado. / Imagens: Acervo Funed