Octávio Coelho de Magalhães

Saiba mais sobre a história de vida daquele que dá nome a uma das diretorias da Fundação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Octávio Coelho de Magalhães / Imagem: Acervo Funed

Em 1973, o Instituto Ezequiel Dias passou a se chamar Instituto Octávio Magalhães. A mudança era uma forma de evitar a confusão de nomes entre a recém instituída Fundação Ezequiel Dias (Funed), que integrava o então Instituto Ezequiel Dias e a Escola de Saúde Pública, e também de homenagear uma importante personalidade na história da instituição, que havia falecido recentemente pelo Mal de Parkinson.

Octávio Coelho de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, no bairro do Catete, em 31 de janeiro de 1880. Filho do médico Joaquim Coelho de Magalhães e de dona Rita, por ser inquieto e levado, aos seis anos, foi estudar no colégio alemão.

Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com 16 anos de idade, tendo como mentor Miguel Couto, importante médico clínico geral e membro da Academia Brasileira de Letras. Já no terceiro ano do curso, passou a frequentar o Instituto Manguinhos, onde recebeu a influência de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Rocha e Lima, dentre outros. Concluiu o curso médico em 1911.

Em 1912, por indicação de Oswaldo Cruz, foi para Belo Horizonte trabalhar no Posto de Observação e Enfermaria Veterinária. Nesse primeiro ano, concluiu sua tese de doutorado intitulada “Cálculo da massa total sanguínea”, para a cadeira de Fisiologia.

Em 1913, foi convocado a chefiar o laboratório central da Santa Casa de Belo Horizonte. Nesse período, identificou vários casos de micose pulmonar provocada por um novo fungo, o NeogeotrichumPulmoneum. Ao mesmo tempo, Magalhães, com apenas 23 anos, começou a lecionar fisiologia na então recém-criada Faculdade de Medicina de Minas Gerais.

Já instalado em Belo Horizonte, Octávio Magalhães conheceu Vanda Figueiredo, com 14 anos de idade, sobrinha de Ezequiel Dias, com quem se casou depois de três anos, e foi morar na Rua Estevão Pinto n° 570, no bairro Serra.

Em 1920, Octávio aceitou o convite de Carlos Chagas, diretor do Instituto Manguinhos, para chefiar o Instituto de Higiene de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Durante dois anos, Magalhães se dedicou a reorganizar o Instituto e a lutar contra a febre tifóide, a tuberculose e a peste bubônica naquela região.

Em 1922, Octávio retornou ao estado de Minas Gerais e, a convite de Ezequiel Dias, iniciou as atividades na filial do Instituto Manguinhos, em Belo Horizonte. Um ano depois da morte de Ezequiel, Octávio Magalhães, aos 32 anos, ajudante de microbiologia do Posto Veterinário e que substituiu Ezequiel Dias algumas vezes quando estava doente, foi designado por Carlos Chagas para dirigir o Instituto Filial.Entretanto, a dificuldade de aceitação por parte do Ministro da Justiça, João Luiz Alves, atrasara a nomeação. Somente no governo do presidente Washington Luiz, em novembro de 1926, Octávio Magalhães foi nomeado para cargo de diretor da filial mineira.

Ao assumir o cargo de diretor do Instituto Ezequiel Dias, Octávio Magalhães fez um estudo das possibilidades de crescimento e das necessidades da instituição, ampliando assim o raio de ação do Instituto, criando vários grupos de pesquisa e expedições científicas pelo estado de Minas Gerais. Começou a trabalhar procurando melhorar os contratos de venda de produtos e expandiu a produção de novas vacinas e soros, capazes de aumentar a renda e obter novos clientes.

A maior contribuição de Octávio Magalhães para a fisiologia está nas suas pesquisas sobre o veneno de escorpião, uma das primeiras sobre o assunto. Estudou a relação dose-efeito, o mecanismo provável de ação da toxina no sistema nervoso, no coração e na respiração. Dentre seus principais discípulos, estão Evandro de Barros e Oswaldo de Melo Campos. Octávio Magalhães e seus pesquisadores publicaram, de 1914 a 1941, cerca de 290 trabalhos.

Em 1941, foi publicada uma reforma radical do Instituto Biológico Ezequiel Dias, mudando-o para Bioquímico, depois Químico-Biológico, mais tarde “Instituto de Higiene” e, no governo de Juscelino Kubitschek, passou novamente a se chamar “Instituto Ezequiel Dias”. Três dias depois, o governador nomeou Antônio Valadares Bahia para o cargo de diretor geral do Instituto e Octávio Magalhães para diretor técnico. Magalhães não aceitou o cargo e se desligou definitivamente do Instituto Ezequiel Dias.

Octávio Magalhães entregou ao estado de Minas Gerais uma instituição em plena produção intelectual e de produtos, cujo saldo econômico era positivo, a dívida pequena e os lucros promissores, sendo uma das maiores instituições de pesquisa e ciência. Após este período, ele se dedicou exclusivamente à Faculdade de Medicina de Minas. De 1949 a 1952, Octávio Magalhães assumiu a reitoria da Universidade de Minas Gerais, lutando na campanha pela federalização, alcançada em dezembro de 1949.

Ao mesmo tempo, foi convidado a presidir diversos órgãos, como a Sociedade de Psiquiatria e Neurologia, a Academia de Ciências de Minas Gerais, a Sociedade Brasileira de Biologia, a Sociedade de Cardiologia, o Instituto Borges da Costa, a Sociedade Brasileira de Patologia, o Conselho Regional de Medicina, dentre outras instituições. Em 1953, foi convidado a dirigir a Divisão de Estudos de Endemia Rural de Minas Gerais, pertencente ao Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro.

Exerceu o magistério durante 47 anos, quando foi aposentado pela compulsória, em 1960. Faleceu em 16 de junho de 1972. Pouco tempo depois, em março de 1973, depois de 31 anos de Octávio Magalhães ter deixado a direção do Instituto Biológico Ezequiel Dias, o governador Rondon Pacheco decreta a criação do Instituto Octávio Magalhães, dentro da Fundação Ezequiel Dias, como forma de agradecimento e reconhecimento do trabalho dedicado a essa casa.

Texto: Fabiana Melo Neves, historiadora da Funed