Primeiro ilustre: saiba mais sobre Ezequiel Dias

Conforme divulgado, a cada sexta-feira de agosto – mês em que a Fundação Ezequiel Dias (Funed) completa 113 anos – será publicado um perfil com personagens importantes que contribuíram para a história da Funed. O primeiro a ocupar este espaço só poderia ser aquele que, além de emprestar seu nome à Fundação, também foi protagonista de sua idealização: Ezequiel Caetano Dias.

Apesar de ter falecido há quase 100 anos, é possível resgatar algumas passagens da vida desse pesquisador e amante do conhecimento. Diversos detalhes se perderam ao longo do tempo e, muito outros, já fazem parte do imaginário construído sobre essa figura tão ilustre. O fato é que a imagem de Ezequiel Dias se mantém fortemente ligada à história da saúde pública no Brasil e, claro, à história da Funed em Minas Gerais.

As poucas imagens disponíveis de Ezequiel, o retrata com um bigode marcante e um olhar enigmático – que vai da timidez ao ímpeto. Mas como teria sido Ezequiel criança? Seria bom aluno? Quais eram seus hábitos de vida? Algumas informações podem nos ajudar a resgatar parte da personalidade desse macaense que nasceu em 11 de maio de 1880.

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O jovem Ezequiel com seu marcante bigode, em um de seus raros registros fotográficos – Imagem: Acervo Funed

Sua vida acadêmica começou aos 16 anos, quando cursou Farmácia para satisfazer os desejos do pai. A medicina, sua verdadeira vontade, começou a cursar aos 19 anos na Faculdade Nacional de Medicina, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ezequiel conheceu Oswaldo Cruz ainda muito jovem, em 1902, quando foi escolhido para ser seu assistente no tempo em que dedicava-se aos estudos da microbiologia e da medicina experimental. O início da formação familiar começou no ano seguinte, quando se casou com Maria Cândida Fonseca, cunhada de Oswaldo Cruz. Com ela, Ezequiel teve seis filhos: Ezequiel, Maria José, Emmanuel, Oswaldo, Hélcia e Antônio Caetano.

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Ezequiel era retratado como um homem muito próximo da família. Além de fazer a faculdade de farmácia para agradar ao pai, em muitos registros ele aparece com parte da família. Imagem: Acervo Funed

Em 1905, o pesquisador vai para o Maranhão para instalar um laboratório e ensinar as práticas da medicina experimental em serviços de higiene pública. No ano seguinte, Ezequiel é orientado a se mudar para Belo Horizonte, para tratar de sua saúde. Ele tinha tuberculose e a nova capital oferecia condições climáticas favoráveis ao controle da doença. Assim que sua saúde melhorou um pouco, Oswaldo Cruz o convidou a fundar, na jovem capital mineira, a primeira filial do Instituto Manguinhos do Rio de Janeiro. Em 3 de agosto de 1907, a sede mineira é inaugurada na Rua da Bahia.

Em Belo Horizonte, Ezequiel não se dedicava apenas ao fazer científico. Ele manteve uma vida intelectual ativa e chegou a organizar saraus às quintas-feiras, que aconteciam no Instituto e até em sua própria casa. O pesquisador tinha sensibilidade poética e chegou a escrever alguns poemas. Coordenou diversas pesquisas e análises e, em 1918, contribuiu para a inauguração, na filial mineira, do posto antiofídico para retirada de veneno. Nesta época, o material era levado ao Instituto Butantan para produção do soro, que depois voltava para Minas.

No ano em que a Faculdade de Medicina foi inaugurada, 1911, Ezequiel assumiu as aulas de bacteriologia. No mesmo ano, acompanhou Carlos Chagas a Lassance, município mineiro a 268 km de Belo Horizonte, onde Carlos Chagas identificou a doença de Chagas. Lá, Ezequiel desenvolveu estudos relacionados ao aspecto hematológico da doença. Para Carlos Chagas, Ezequiel era um homem que reconhecia os próprios erros, que ouvia mais que falava e que tinha alma de sonhador e poeta.

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Timidez ou ímpeto: o retrato em pintura destaca o olhar do pesquisador – Imagem: Acervo Funed

Ezequiel foi vencido pela tuberculose ainda muito jovem, aos 42 anos, mas o legado deixado pelo pesquisador segue vivo nas dependências da Funed e em todo o conhecimento que ele ajudou a construir.