Experiência nas salas de vacina

Evento em comemoração aos 113 anos da Funed esclarece dúvidas sobre vacinação

Na manhã de hoje, 19/8, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a GSK realizaram o evento digital Lições aprendidas nas salas de vacinação: 10 anos de experiência com a vacinação contra a doença meningocócica no Programa Nacional de Imunização (PNI). Direcionado a profissionais da saúde, o encontro faz parte das comemorações dos 113 anos da Fundação.

A Funed é o único Laboratório Farmacêutico Oficial (LFO) no Brasil que produz a vacina Meningocócica C. Nesses 10 anos, a instituição entregou mais de 100 milhões de doses da vacina para ser distribuídas em todo país pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. Shirley Lima, gerente de projetos de transferência de tecnologia da vacina meningocócica C na Funed, abriu o evento lembrando que, passado o período de introdução da meningocócica C no calendário de vacinação, é fundamental refletir sobre a experiência nas salas de vacinas, onde os cuidados e procedimentos são primordiais para que se atinja os benefícios da imunização. “Não basta produzir e distribuir uma vacina com segurança e eficácia comprovadas, é preciso assegurar que ela seja corretamente administrada no indivíduo”, afirmou.

Pilar Rubio, diretora de assuntos científicos e saúde pública em vacinas da GSK, coordenou o debate e lembrou que é no Centro de Saúde que a vacina se transforma em vacinação. “A ação do agente de saúde é que realiza a vacinação efetivamente, por isso ele tem o papel não de apenas vacinar, mas também de educar a população”, lembrou a diretora.

Josianne Gusmão, coordenadora estadual do programa de imunizações da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), apresentou a experiência nas salas de vacinação, destacando fatores que favorecem e dificultam a imunização. O acolhimento foi o primeiro ponto citado pela especialista. Ela lembrou que o vacinador tem o papel de receber a população, por isso é importante que esse primeiro contato seja feito de forma acolhedora e instrutiva, para que seja possível sanar as dúvidas de cada cidadão. “A atualização desse profissional é outro ponto importante. Como o calendário é grande, o vacinador deve conhecê-lo bem e estar atento para que, no momento da vacinação, também consiga atualizar o cartão de vacinas de outros membros da família que vão levar a criança”, lembra Josianne.

A coordenadora abordou a importância de estratégias para garantir que a população seja vacinada, sobretudo nesses tempos de pandemia. “Foram usados pátios de escolas, de shoppings e outros ambientes para garantir que a vacinação aconteça. De forma que devemos reforçar o valor da vacinação, em qualquer época da vida e não apenas na infância”, destaca Josianne, que acrescentou outro ponto que favorece a imunização: o amor com que esses vacinadores trabalham, criando uma relação de confiança e respeito com a população.

Como pontos que dificultam a vacinação, Josianne citou sete fatores principais: 1- a rotatividade dos vacinadores nas salas de vacina (o que dificulta que aquele profissional consiga acompanhar as mudanças no calendário, prejudicando a atualização);

2- a não exclusividade desse profissional, que muitas vezes exerce atividades em outras áreas do centro de saúde;

3- a perda de oportunidade de oferecer a atualização do cartão de vacinas;

4- a falta de atualização do profissional em relação às informações do Plano Nacional de Imunizações (PNI) – muitas vezes as informações são enviadas, mas não há uma efetiva discussão dos principais pontos com os vacinadores;

5- a perda da percepção de risco por parte da população, que pensa que, por alguma doença não estar em circulação no momento, ela não oferece risco;

6- as fake news, por isso é fundamental que os vacinadores instruam a população a procurar fontes de informação seguras como os sites da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

7- a irregularidade de envio de alguns insumos, porque isso faz com que as pessoas voltem para casa e desanimem de voltar outro dia para vacinar.

Josianne lembra que esses são alguns desafios com os quais é preciso lidar nas salas de vacina, diariamente. “Até a questão de o vacinador ter que vacinar e também registrar no sistema os dados do paciente pode ser um fator que dificulte a plena realização da imunização”, lembrou a coordenadora.

José Geraldo Leite, médico especialista em epidemiologia, apresentou ações para reduzir ou mitigar erros na vacinação. Ele recomendou que o vacinador parta da idade do paciente e verifique quais vacinas ainda precisam ser feitas. “Um erro comum é ter pena de aplicar muitas vacinas no mesmo dia na criança. Se elas não são aplicadas no dia, pode-se perder a oportunidade de se vacinar aquela criança”, afirmou.

O médico também acredita que é um erro deixar de fazer mais vacinas no mesmo dia pensando que uma vai interferir na ação de outra feita há uma semana, por exemplo. “As vacinas injetáveis com vírus inativados não provocam esse tipo de interferência. Só nos casos de vacinas feitas a partir de vírus vivos atenuados (febre amarela, varicela, tríplice viral) é que é preciso tomar esse cuidado”, explicou.

Outro aspecto abordado por José Geraldo foi a questão técnica. Ele chamou a atenção da importância de o vacinador ter a certeza de que pegou a vacina que ele realmente precisa aplicar e se ele tem o domínio da técnica de aplicação que ela requer. “No dia a dia, a câmera fria fica muito cheia e os vacinadores acabam buscando as vacinas pelo aspecto do frasco e isso pode levá-los a cometer enganos. É importante aplicar a vacina com muita segurança da via de aplicação. Em caso de dúvida, é melhor procurar ajuda de alguém da equipe”, recomendou.

Sobre o desafio de se conseguir altos níveis de vacinação, Josianne lembrou que cada município tem uma particularidade, por isso é preciso trabalhar com estratégias de acordo com cada realidade. Em relação à vacina meningocócica C, ela chamou a atenção para a baixa cobertura entre os adolescentes. “Por isso é importante lembrar que esta vacina está disponível pelo SUS para adolescentes de 11 e 12 anos e que a imunização deles também ajuda a proteger as crianças”, destacou.

Outro ponto apresentado por José Geraldo aborda a realização de vacinas no serviço público e na rede privada. Como uma parte da população tem acesso a planos de saúde, é comum haver uma confusão na hora de orientar sobre os esquemas vacinais da rede privada e da pública. “Por isso é essencial que os profissionais das salas de vacinação, do serviço público e privado, conheçam os dois calendários. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) trabalha com o que eles chama de calendário ideal, que considera esses dois aspectos”, explicou.

Ao final das apresentações, os convidados responderam às dúvidas enviadas pelos internautas. Shirley Lima encerrou o evento, agradecendo a participação de todos nesse importante momento de comemoração e lembrando que a ideia da iniciativa é manter um canal permanente de diálogo entre os diversos atores envolvidos no processo de vacinação.

 Para quem perdeu a live, o evento ainda ficará disponível por 24 horas pelo link.