Funed realiza live para servidores sobre o diagnóstico parasitológico da malária

Capacitação ensina servidores como diferenciar os sintomas da malária da covid-19

Na próxima quinta-feira (24/9), o Serviço de Doenças Parasitárias do Instituto Octávio Magalhães (SDP/IOM) da Fundação Ezequiel Dias (Funed) realiza uma live sobre o diagnóstico parasitológico da malária, às 10h. A capacitação será transmitida pelo canal da Fundação no Youtube e se mostra ainda mais relevante já que alguns sintomas da doença podem ser confundidos com os da covid-19.

O encontro é destinado aos trabalhadores da rede de diagnóstico da malária, aos profissionais que realizam exames de microscopia e àqueles que têm interesse sobre o assunto.

De acordo com Jacqueline Iturra, chefe do SDP, “o objetivo da palestra não é formar microscopistas para o diagnóstico da malária, como nos cursos presenciais, mas relembrar alguns conceitos para aqueles que já fizeram o curso presencial, dar uma noção do diagnóstico a quem nunca fez e oferecer conhecimentos básicos a quem quiser conhecer um pouco mais sobre o diagnóstico da malária”.

A palestra será conduzida pelo doutor em Bioquímica e Imunologia Job Alves de Souza Filho, referência técnica em diagnóstico parasitológico e molecular para leishmaniose tegumentar, leishmaniose visceral, doença de Chagas e malária no Laboratório Central de Minas Gerais (Lacen-MG/Funed).

A importância da malária é um dos tópicos a serem abordados. Principalmente, no contexto da pandemia da covid-19, considerando que estas doenças possuem alguns sintomas semelhantes, mas com recomendações bem diferentes.

“Com a pandemia, os cursos de capacitação presencial para os diagnósticos parasitológicos ofertados pelo Serviço de Doenças Parasitárias foram suspensos, mas os casos de malária não pararam de ocorrer. Como alguns sintomas podem ser confundidos com os da covid-19 – como febre e dor no corpo – achamos importante esta capacitação, já que no caso da malária a instrução de ficar em casa pode ser fatal”, lembra Job. Também serão abordados os métodos diagnósticos da malária e o fluxo de diagnóstico e revisão de lâminas em Minas Gerais.

Job explica que, uma infecção por Plasmodium falciparum, parasito causador da malária, “pode matar dentro de cinco dias após o primeiro sintoma”. O pesquisador acredita que um dos grandes desafios da malária é a realização do diagnóstico e tratamento em, no máximo, 48 horas. “Para isso é necessário descentralizar o diagnóstico para as microrregiões do estado, que requer um profissional qualificado para identificar as centenas de formas possíveis do parasito para dar um diagnóstico confiável”, pondera.

Coordenação da Relsp

A Funed, enquanto Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e laboratório de referência estadual para diagnóstico laboratorial de malária, é responsável por revisar 100% das lâminas de pacientes suspeitos deste agravo no estado de Minas Gerais. O SDP também tem o papel de capacitar profissionais para possibilitar a descentralização do diagnóstico parasitológico e distribuir os testes rápidos da malária para todo o estado. Por ser uma doença aguda com rápida progressão, o diagnóstico da malária deve ser descentralizado para o máximo de locais possíveis.

Job explica que a malária é uma doença negligenciada em áreas não endêmicas, mas é justamente nessas áreas que a letalidade é maior, podendo ser mais de cem vezes mais letal que em área endêmicas, como na região Amazônica, devido à falta de diagnóstico. “Considerando que é uma doença aguda e que em casos graves pode matar em questão de horas, é imprescindível a capacitação de profissionais para realizar um diagnóstico descentralizado, principalmente no interior do estado e em municípios distantes da capital”, lembra.

O pesquisador cita um levantamento feito recentemente em que Minas Gerais possui apenas 42 estabelecimentos de referência com assistência médica. Destes, 34 prestam atendimento 24h e apenas 22 realizam o ensaio de gota espessa (padrão ouro para o diagnóstico da malária). “Outro alerta é a proximidade da aposentadoria de vários microscopistas de malária, destacando a necessidade de que mais microscopistas sejam capacitados para este diagnóstico” complementa.

É considerado caso suspeito de malária em área não-endêmica toda pessoa que seja residente ou tenha se deslocado para área onde haja transmissão de malária no período de 8 a 30 dias anterior à data dos primeiros sintomas. Além disso, a pessoa tem de apresentar febre com um dos seguintes sintomas: calafrios, tremores generalizados, cansaço, mialgia; ou toda pessoa testada para malária durante investigação epidemiológica. Pessoas com suspeita de malária devem procurar um serviço médico imediatamente.

Jacqueline Iturra (SDP) também destaca que, para o diagnóstico parasitológico da malária, é imprescindível a realização de cursos presenciais com prática em microscopia, realizados periodicamente na Funed, sob demanda da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e dos municípios.

“O curso on-line não substitui o curso presencial, mas podemos usá-lo como educação continuada para dar uma base de conhecimento sobre o assunto e, quando for possível retornar os cursos presenciais, já termos uma seleção de profissionais mais capacitados”, afirma.

Durante a live, os profissionais também poderão tirar dúvidas sobre o diagnóstico laboratorial da malária. Para participar, basta acessar o canal da Funed no Youtube. Será emitido certificado de participação para quem fizer a prova que será disponibilizada on-line e obter nota igual ou superior a 70%.

Serviço

Live: Diagnóstico parasitológico da malária na pandemia de covid-19

Data e horário: 24 de setembro, das 10h às 11h

Plataforma: Canal da Funed no Youtube

Certificado: para quem fizer prova on-line e obtiver aproveitamento igual ou superior a 70%