Live sobre o diagnóstico parasitológico da doença reúne cerca de 120 pessoas

Na manhã de hoje, 24/9, o Serviço de Doenças Parasitárias do Instituto Octávio Magalhães (SDP/IOM) da Fundação Ezequiel Dias (Funed) realizou a live Diagnóstico parasitológico da malária na pandemia de covid-19, que foi transmitida pelo canal da Fundação no Youtube. A abertura e mediação da capacitação foi feita pela chefe do SDP, Jacqueline Iturra, e o palestrante foi Job Alves de Souza Filho, doutor em Bioquímica e Imunologia, referência técnica em diagnóstico parasitológico e molecular para leishmaniose tegumentar, leishmaniose visceral, doença de Chagas e malária no Laboratório Central de Minas Gerais (Lacen-MG/Funed).

O encontro foi destinado aos trabalhadores da rede de diagnóstico da malária, aos profissionais que realizam exames de microscopia e aos interessados no assunto. Mais de 400 pessoas passaram pela transmissão, sendo que 120 profissionais permaneceram simultaneamente no evento. A live alcançou trabalhadores de diversas regiões de Minas Gerais, do Pará, da Bahia, do Acre, do Ceará, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e de Rondônia. Na palestra Job destacou a importância de ações que possibilitem o rápido diagnóstico da malária, para que haja tempo hábil para um tratamento de sucesso. “Como ainda não temos uma vacina para a malária, precisamos investir no controle do vetor, em ações de educação em saúde e precisamos pensar em malária, pois não é porque não ouvimos notícias sobre os casos todos os dias que eles não aconteçam”, ponderou.

 

Serviço de Doenças Parasitárias do Instituto Octávio Magalhães (SDP/IOM) da Funed realizou a live Diagnóstico parasitológico da malária na pandemia de covid-19

Jacqueline Iturra lembrou que, assim que possível, os cursos presenciais serão retomados. “Nesse contexto da pandemia, estamos nos apropriando das ferramentas digitais para manter nossa agenda de capacitações. Muito em breve retornaremos com novos cursos, como um específico sobre confecção de lâminas”, afirmou.

Os slides da apresentação e outros materiais complementares estão disponíveis neste link, assim como a prova on-line, que certificará os participantes que tiverem aproveitamento igual ou acima de 70%.

Quem perdeu a live, ainda pode assisti-la no canal da Funed no Youtube.

Diagnóstico realizado pela Funed é o padrão ouro

De acordo com Job, o método para o diagnóstico da malária é relativamente simples e requer poucos equipamentos. O equipamento principal é um bom microscópio que permita visualizar com nitidez estruturas com um amento de 600x a 1000x. Como o parasito causador da malária (Plasmodium sp.) infecta as hemácias, a amostra usada no diagnóstico é uma gota de sangue que pode ser retirada da ponta do dedo (punção digital). Com a amostra de sangue podem ser feitos uma “gota espessa” e um “esfregaço”. A gota espessa é o padrão ouro. “Neste exame a amostra de sangue é concentrada em 1cm2 sobre uma lamina de vidro, as hemácias são rompidas e os parasitos são visualizados no microscópio após serem corados pelo método de Walker. No esfregaço, é realizada uma distensão do sangue em monocamada sobre a lâmina e posteriormente a lâmina é corada pelo método de Giemsa e também visualizada no microscópio”, explica o pesquisador.

Job explica que a gota espessa concentra o parasito e aumenta as chances de encontrá-lo, já no esfregaço é possível visualizar o parasito dentro da hemácia, o que também é importante para o diagnóstico, uma vez que as alterações nas hemácias e o tipo de hemácia infectada são importantes para se definir a espécie de Plasmodium sp. que está causando a doença. Existem uma centena de espécies de Plasmodium sp. que infectam aves répteis e mamíferos. “Sabe-se que pelo menos seis espécies de Plasmodium sp. podem causar a malária humana. Essas espécies causam formas clínicas diferentes de malária e precisam ser identificadas no diagnóstico parasitológico”, recomenda Job.

Por Vívian Teixeira