Funed tem papel fundamental no enfrentamento à meningite

Em  24 de abril é comemorado o Dia Mundial de Combate à Meningite. A data destaca a importância da prevenção, do diagnóstico, do tratamento e da melhoria das medidas de suporte àqueles que lidam com os efeitos da doença. Na atual situação de saúde pública do país, os cuidados são ainda mais importantes, pois uma pesquisa revelou que metade dos pais não vacinaram os filhos contra a meningite durante a pandemia da covid-19.

A pesquisa foi encomendada pela farmacêutica GSK por meio do instituto Ipsos, que entrevistou pais e responsáveis legais de oito países. Os dados mostraram que 50% deles adiaram ou faltaram à data prevista para a nova dose de vacina contra  a meningite de seus filhos durante a pandemia. No Brasil, 57% dos entrevistados declararam ter desistido ou adiado algum compromisso ou consulta de saúde dos filhos durante a pandemia.

Ao todo, 4.962 pais e responsáveis legais foram entrevistados, sendo que a eles cabia tomar decisões sobre a saúde das crianças e adolescentes sozinhos ou em conjunto com o parceiro ou parceira. No Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Argentina, Brasil e Austrália, os filhos dos participantes do estudo tinham entre 0 e 4 anos de idade; já nos Estados Unidos, os filhos tinham entre 11 e 18 anos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, globalmente, mais de 5 milhões pessoas são afetadas pela meningite anualmente; a cada dez pacientes, um morre em decorrência da doença, e outros dois ficam com sequelas. Cristine de Araújo Silva, analista do Serviço de Farmacovigilância e Estudos Clínicos da Diretoria Industrial da Funed, explica que há cinco sorogrupos de meningococo que causam a doença meningocócica: sorogrupos A, B, C, W e Y e que os fatores que intervêm na difusão, distribuição e propagação desses diversos sorogrupos, ou seja, os fatores epidemiológicos, variam com o passar dos anos por região ou país. “O sorogrupo C é o mais frequente no Brasil. Portanto, a imunoprevenção para o sorogrupo C favoreceu a diminuição da circulação do meningococo C em todo o país e continua favorecendo a diminuição de casos dessa doença que se apresenta de forma tão grave”, afirma Cristine.

A vacina meningocócica C conjugada foi introduzida na campanha de vacinação do estado de Minas Gerais, em 2009, e no Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2010. Desde então, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), por meio de uma Aliança Estratégica com a GSK para transferência de tecnologia do processo produtivo, é a responsável por entregar a vacina ao Ministério da Saúde, que faz a distribuição para os estados.

Para o diretor industrial da Funed, Bruno Pereira, a Fundação tem o desafio de garantir o abastecimento do imunizante para todo o país, mesmo em tempos de pandemia. “Como as ações de imunização são fundamentais para o controle da doença, a Funed segue trabalhando permanentemente para que a vacina contra a meningite C chegue a todos os brasileiros. A previsão é que sejam fornecidas ao Ministério da Saúde mais de 8,8 milhões de doses da vacina em 2021”, afirma Bruno.

A doença

A  doença meningocócica é uma infecção aguda grave, que evolui de forma rápida e é causada pela bactéria Neisseria meningitidis (meningococo). Tem elevados índices de letalidade e de sequelas nos sobreviventes como cegueira, surdez, sequela neurológica e amputação de membros. A doença meningocócica pode se apresentar como meningite (doença no sistema nervoso central) e/ou como meningococcemia (infecção generalizada).