Dentista da Funed lista os prejuízos do tabaco para a saúde bucal

Existem inúmeras enfermidades relacionadas ao tabagismo, como doenças cardíacas, pulmonares e tumores

Criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial Sem Tabaco (31/5), tem o objetivo de alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.

O consumo de tabaco causa aproximadamente 50 doenças diferentes, dentre elas, doenças cardíacas, pulmonares e tumores. A saúde bucal de um fumante também é afetada, diminuindo a cicatrização de feridas, a imunidade e deixando o organismo sujeito à ação de agentes agressores como bactérias, vírus, fungos. Além disso, o tabaco contém substâncias que aumentam a probabilidade do câncer bucal.

De acordo com estudos científicos publicados nesse ano pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Vale também alertar que os fumantes têm maior risco de desenvolver doença grave e morte pela covid-19, quando comparados aos não-fumantes.

Manchas e halitose

Na composição do cigarro, existem mais de quatro mil substâncias capazes de causar danos ao nosso organismo. As manchas nos dentes são os problemas mais conhecidos. Quanto mais se fuma, maiores são as chances dos dentes se mancharem, desde uma coloração amarelada até os tons mais escuros. Quando o fumo afeta severamente a dentição, alguns chegam a ficar com manchas cinzas, que são muito difíceis de serem retiradas.

De acordo com a dentista do Serviço de Segurança e Saúde do Trabalhador (SSST), da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Viviani Araújo, alguns elementos que compõem o cigarro, como a nicotina e o alcatrão, podem reduzir a resistência dos tecidos do periodonto e eles são absorvidos pelas raízes dos dentes. “Com a falta de anticorpos, os fumantes também apresentam altas taxas de mau hálito (halitose)”, explica.

Problemas Periodontais

A periodontite é uma infecção gengival grave que danifica as gengivas e pode destruir o osso maxilar, o que é comum, mas pode ser evitado. Geralmente, é causada por má higiene oral, mas também o tabagismo é um dos principais causadores.

Os principais efeitos nocivos são:

  1. Diminuição da vascularização;
  2. Alteração na resposta inflamatória e imunológica;
  3. Bolsas periodontais mais profundas;
  4. Maior perda de inserção periodontal;
  5. Interferência na cicatrização pós terapias.

“A fumaça do cigarro afeta toda a circulação sanguínea do corpo, inclusive o periodonto, que é vascularizado, causando assim a vasoconstrição (diminuição dos vasos sanguíneos). Como consequência disso, a gengiva do fumante pode não sangrar”, aponta a dentista.

Câncer Bucal

Fumantes são mais propícios a desenvolverem câncer bucal, sendo que eles têm probabilidade 4 a 15 vezes maior de apresentar câncer de boca do que não fumantes. Entre os pacientes que morrem em decorrência de câncer da cavidade bucal, 90% são fumantes.

As lesões aparecem inicialmente como pequenas feridas indolores que não cicatrizam, aumentos de volume (caroços, inchaços) ou manchas esbranquiçadas ou avermelhadas. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de boca está em 5º lugar em incidência no Brasil, seguido pelo câncer de esôfago.

Viviani conta que, na maioria das vezes, a pessoa pode não apresentar sintomas, o que é mais um motivo para ficar atento. “Quando há dificuldade para falar, mastigar e engolir, ínguas, além de emagrecimento acentuado, procure um médico”, ressalta.

Para prevenir o câncer bucal o fumante deve:

  • Reduzir o uso do cigarro e, se possível, até mesmo abandoná-lo;
  • Evitar a associação do fumo com o álcool, pois esse aumenta os efeitos nocivos do cigarro;
  • Ter uma alimentação saudável, consumindo frutas, legumes e verduras;
  • Realizar consultas periódicas com o dentista;
  • Manter uma boa higiene bucal.