No Dia do Uso Racional de Medicamentos, precaução é a dica mais valiosa

Hoje, 5 de maio, comemora-se o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. A data, que já tem grande relevância devido aos riscos da automedicação e do uso indiscriminado de medicamentos, se torna ainda mais importante durante a pandemia do novo coronavírus. Isso porque cada vez mais pessoas têm usado medicamentos e plantas medicinais sem indicação de eficácia comprovada, o que pode inclusive ocasionar efeitos colaterais, levando ao desenvolvimento de outras doenças.

Diante disso, Cristine de Araújo Silva, analista do Serviço de Farmacovigilância e Estudos Clínicos, da Diretoria Industrial da Funed, juntamente com Júlio César Moreira Brito, pesquisador do Serviço de Recursos Vegetais e Opoterápicos, da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed, participaram da elaboração do artigo Uso irracional de medicamentos e plantas medicinais contra a COVID-19 (SARS-CoV-2): Um problema emergente, que demonstra aumentos importantes no uso de fármacos sem comprovada eficácia clínica contra a covid-19. Clique aqui para ler o artigo completo, divulgado na Revista Científica do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG).

Para Cristine Silva, sugestões de uso, divulgação de estudos sem robustez, com pouca ou nenhuma evidência e as fake news vêm incentivando a compra de medicamentos e seu uso indiscriminado. “A exemplo disso, temos a pandemia de covid-19, que trouxe um enorme desafio para a saúde pública também nesse sentido, influenciando o aumento da automedicação em busca de um tratamento para a doença”, ressalta.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil. Estudos brasileiros também mostram que as morbidades e mortalidades relacionadas ao uso de medicamentos (MRM) seriam responsáveis por um gasto considerável de recursos, podendo chegar a 23% do orçamento público anual total destinado à saúde no Brasil.

Importância da dosagem correta
Quando se usa um medicamento, prescrito, ou isento de prescrição, não somente a dosagem precisa ser observada, mas também os horários de administração, o tempo em que esse medicamento precisa e pode ser utilizado, suas interações com outros medicamentos e/ou alimentos, se está realmente tratando a condição clínica, e se está causando algum sintoma ou alteração não desejados e que possam piorar ou agravar a condição de saúde. “Cada medicamento é diferente quanto ao que foi citado e o entendimento sobre como deve ser usado contribui para a prevenção de eventos adversos como reações adversas, diminuição da eficácia, intoxicações e erros, por exemplo”, explica a analista da Funed.

“O que se espera e se deseja é que os medicamentos tratem, curem e não causem malefícios. Entretanto, sabemos que há riscos associados ao uso de qualquer medicamento, por isso a importância de entender sobre seu uso e suas indicações, a importância de uma orientação profissional e acompanhamento do uso e a importância em se conhecer a bula”, frisa Cristine Silva.

Os perigos da automedicação
Ao se automedicar ou medicar uma pessoa sob sua responsabilidade, o indivíduo pode acarretar sérios riscos e danos à sua saúde ou à da pessoa e, muitas vezes, os sintomas e agravamento do quadro clínico podem ser confundidos com a própria doença. A automedicação pode contribuir para diversos erros no uso de um medicamento (eventos adversos evitáveis), contribuir para um diagnóstico incorreto, agravar um sintoma ou uma doença, causar outras doenças, aumentar resistência de microorganismos, provocar dependência, reações alérgicas, intoxicações e mortes. Todas as situações que envolvem automedicação têm um peso negativo na saúde de um indivíduo ou da população como um todo.

“O uso irracional é um dos principais problemas relacionados à farmacoterapia. Houve um aumento na venda de medicamentos que, acredita-se erroneamente, tratar a covid-19. Em artigo publicado esse ano pela Escola Nacional de Saúde Pública, a hidroxicloroquina está como suspeita ou em interação em quase 60% das Reações Adversas a Medicamentos (RAM) identificadas e seu uso foi associado à RAM graves”, alerta Cristine Silva.

Nesse contexto, é imprescindível que profissionais e cidadãos notifiquem as suspeitas de eventos adversos à indústria responsável pelo medicamento, e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio do Vigimed, contribuindo para a identificação de riscos e danos e, consequentemente, para o planejamento de uma minimização desses problemas.

Os Conselhos Federal e Regional de Farmácia indicam alguns cuidados importantes. Fique atento:

  • Siga as orientações dos órgãos oficiais de saúde: em tempos de pandemia, não se precipite. Siga as orientações dos órgãos de saúde pública.
  • Não se automedique: O uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, sem a avaliação prévia de um médico ou dentista, pode colocar sua saúde em risco.
  • Evite o uso excessivo de medicamentos: o uso excessivo de medicamentos, vitaminas entre outros, é um risco. Só use medicamento com acompanhamento médico ou farmacêutico.
  • Confira as informações das medicações: Lembre-se de sempre conferir o nome, a validade e a quantidade informada na embalagem.