Semana de C&T da Funed destaca a transversalidade da ciência e entrega o XIII Prêmio Carlos Ribeiro Diniz

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da Fundação Ezequiel Dias (Funed), a Funed ComCiência, foi encerrada com o anúncio dos vencedores do XIII Carlos Ribeiro Diniz, na tarde do dia 8 de outubro. Clique aqui e confira os vencedores de todas as categorias.

Muito mais que conhecer os nomes dos estudantes que se destacaram com suas pesquisas, o evento se propôs a debater um tema importante para se fazer ciência na atualidade: a transversalidade. Vanderlan Bolzani, pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), defendeu que os pesquisadores, mesmo atuando em áreas diferentes, precisam trabalhar em conjunto. “Precisamos lembrar que a Ciência é usada para conseguirmos grandes objetivos e que só alcançaremos uma verdadeira transformação social com a valorização da pesquisa no país. Precisamos trocar músculos por cérebros!”, enfatizou a pesquisadora.

Luciana Maria Silva, presidente do Comitê de Assessoramento Científico da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed, apresentou os grupos de pesquisa da Diretoria credenciados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e suas áreas de atuação. O panorama apresentado pode facilitar a imersão dos alunos na linha de pesquisa com a qual mais se identificam.

A pesquisadora do Serviço de Toxinologia Molecular da Funed, Clara Guerra, e Stephanie Stransky, pesquisadora do Albert Einstein College of Medicine, propuseram um debate acerca de alternativas ao uso de animais em experimentos científicos. Clara lembrou que 90% dos ganhadores dos prêmios Nobel usaram animais em suas pesquisas, o que prova que o uso é importante. “Entretanto, reconhecemos o dilema ético e moral que essa utilização envolve. O cuidado animal está diretamente relacionado à excelência da pesquisa científica. O animal precisa estar bem para a pesquisa ter resultados positivos”, afirmou.

Stephanie apresentou modelos computacionais, a prática de cultura de células in vitro e o uso de organismos alternativos como opções ao uso de animais nos estudos. A pesquisadora mostrou resultados que demonstraram a possibilidade de analisar algumas formas de envenenamento in vitro. Em alguns casos, o teste in vitro pode discriminar soros de alta e baixa potência. O uso de metodologias alternativas também pode reduzir o número de uso de animais”, afirmou Stephanie.

Maurício Guilherme Silva Júnior, pesquisador e divulgador científico, propôs uma abordagem sobre a ciência produzida e a ciência percebida, lembrando que, muitas vezes, a ciência que é divulgada não é a única nem a mais importante. “Os jovens pesquisadores precisam ousar adentrar por outros terrenos, muitas vezes pouco valorizados e explorados, como o das pesquisas que envolvem doenças negligenciadas, por exemplo. E, para pesquisar esses temas, é preciso conhecer as necessidades das pessoas. Também precisamos nos entregar à descoberta e ao espanto que diversas áreas das ciências nos propõem”, convidou o pesquisador.

Para Lutiana Amaral, membro da Comissão Organizadora do Prêmio Carlos Ribeiro Diniz, a XIII edição do Prêmio chegou com ares de maturidade, trazendo duas grandes novidades: o formato on-line e a inclusão da categoria pós-graduação. “O formato on-line, exigência da pandemia, oportunizou a participação de pessoas dos mais distantes lugares, como palestrantes e membros da comissão avaliadora. A participação dos alunos da pós, por outro lado, dá visibilidade ao programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Funed, podendo atrair mais alunos e democratizando ainda mais o acesso. Pretendemos manter o que funcionou e melhorar aquilo que pode ser aperfeiçoado. Gostaria de agradecer a participação de todos, desde a organização, avaliadores e alunos. Colaboradores são bem-vindos para a próxima edição”, encerrou Lutiana.

Todas as palestras do evento estão disponíveis no canal da Funed no YouTube.

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Publicado em: 13 de outubro de 2021 16:24