Funed completa 115 anos de prestação de serviços à saúde pública

No dia 3 de agosto de 2022, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) completou 115 anos de prestação de serviços à saúde pública. Mais de um século entregando à sociedade análises e diagnósticos diversos, medicamentos e vacinas, pesquisas na área de saúde – tudo por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao longo de todo este período de atuação, a Funed sempre esteve pronta para atuar em situações rotineiras e de emergência em saúde regionais e globais. As epidemias de meningite, dengue, febre amarela e a pandemia de covid-19 são exemplos dessa pronta atuação. Recentemente, a Fundação foi chamada a dar mais uma resposta em tempo rápido: o diagnóstico do monkeypox, também conhecida como varíola do macaco.

O Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG/Funed) é referência para esse diagnóstico em 17 estados do Brasil. Mas a Fundação foi além. Também participou, junto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do isolamento do vírus e da microscopia eletrônica de uma amostra positiva de monkeypox, que foi confirmada por meio sorológico e também molecular (PCR). Os resultados foram realizados em conjunto nos dois centros de pesquisa, em um processo conhecido como contraprova, tendo sido validado em ambos. O procedimento, realizado em tempo recorde ainda no mês de julho, é fundamental para que os pesquisadores consigam entender melhor a dinâmica da doença e para que estudos complementares, relacionados ao tratamento e ao próprio diagnóstico, possam ser aprimorados.

Para o presidente da Funed, Eduardo Campos Prosdocimi, a sociedade mineira tem muito o que comemorar e se orgulhar. “Ao longo de sua história, a Funed tem atendido às necessidades imediatas da população, sem deixar de pensar nas necessidades do futuro. Sua credibilidade na saúde pública, infraestrutura e seu corpo técnico qualificado fazem com que ela se fortaleça ao longo dos anos”, acredita.

Futuro

E é justamente a predisposição a olhar o futuro que faz com que a Fundação desenvolva diversas pesquisas na área biotecnológica. Além da tradição em estudos na área de venenos animais, a Funed está atenta às tendências quando o assunto é saúde. Recentemente, foi firmada uma parceria com uma indústria farmacêutica especializada em cannabis com o objetivo de desenvolver um colírio à base de canabinoides com potencial para tratar o glaucoma.

Também é pensando nas gerações futuras que a Funed desenvolve diversas iniciativas de divulgação científica voltadas a crianças e adolescentes e mantém conteúdos informativos e de utilidade pública sobre saúde em suas redes sociais. O Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPBiotec) é outra ação pioneira no estado. O mestrado, oferecido de forma 100% gratuita, tem o objetivo de formar recursos humanos qualificados para atuação em setores produtivos, empresas de base biotecnológica e instituições de ciência e tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento de produtos, processos e novas técnicas de análise e diagnóstico de base biotecnológica.

Cotidiano

Além da pesquisa e das análises laboratoriais, a Funed está presente no dia a dia de muita gente por meio dos medicamentos que produz e distribuiu por meio do SUS. A Talidomida, usada no tratamento da hanseníase e de outras doenças, é um dos medicamentos produzidos pela Fundação.

Robson Eustáquio de Paula é servidor da Unidade de Líquidos da Funed e, há mais de 30 anos, se orgulha de contribuir para que tantas entregas cheguem à sociedade. Durante o período em que Robson está na Funed, acompanhou muitas mudanças, tanto na estrutura da instituição, quanto na melhoria dos equipamentos. Além disso, presenciou a chegada de novos servidores. Tudo isso contribuiu para que o trabalho do servidor e de seus colegas ficasse cada vez mais rápido e eficaz. Robson relata a importância de seu trabalho para o andamento de demais produções dentro da Fundação: “A água é a matéria prima principal de alguns produtos produzidos na Funed. Sem a água purificada, ou para injetáveis, não tem o produto final”, conta.

Outra servidora da casa, Mariem Rodrigues Ribeiro da Cunha, é analista e pesquisadora em Saúde e Tecnologia do Serviço de Química Especializada do Instituto Octávio Magalhães (IOM/Funed), com mais de 40 anos de prestação de serviços à Fundação, mostra-se orgulhosa de seu trabalho envolvendo análises das composições dos alimentos. Segundo ela, sua motivação nunca foi a fiscalização, mas sim a possibilidade de trazer melhorias na qualidade de vida das pessoas. Um dos projetos citados pela servidora é o de pesquisa de fenilalanina em alimentos, realizado em parceria com a UFMG, que pode auxiliar na melhoria da elaboração de dietas para crianças com diagnóstico de fenilcetonúria, doença que pode ser diagnosticada no teste do pezinho e com a análise de resíduos de antimicrobianos em alimentos de origem animal, em parceria com a Anvisa.

Para os próximos cem anos, o que a Fundação deseja é avançar na produção de vacinas, ampliar seu portfólio de medicamentos, alavancar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, construir uma nova e moderna estrutura física do Lacen-MG e avançar cada vez mais na qualificação da sua infraestrutura física, para estar sempre pronta a atender as necessidades da população.