Funed participa de capacitação em projeto para detecção molecular da covid-19 em esgotos

Entre os dias 28 e 30 de setembro, a servidora Daniela Peralva, chefe do Serviço de Ciências Bioquímicas (SCB) da Fundação Ezequiel Dias (Funed), participou de uma capacitação para detecção molecular do novo coronavírus (SARS-CoV-2) em esgotos. O treinamento foi promovido pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em parceria com a Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde (CGLAB/SVS/MS), e faz parte do “Projeto piloto para monitoramento do SARS-CoV-2 em águas residuais”, que será implantado em dez unidades da federação.

Segundo Daniela Peralva, chefe do SCB da Funed, o projeto é considerado piloto por ser o primeiro a abranger a vigilância ambiental por meio do monitoramento do esgoto. “Essa metodologia já está incorporada à vigilância da covid-19 em alguns países da Europa e da América do Norte. A maior vantagem em trazê-la para o Brasil é poder identificar casos de indivíduos assintomáticos ou com sintomas leves que não procuram atendimento médico antes do aumento do registro de casos”, reforça.

Daniela explica ainda que o aumento da carga viral no esgoto representa uma maior circulação do vírus na população, funcionando como um sistema de alerta precoce para o aumento da incidência de casos de covid-19 e da introdução de variantes virais. “A participação neste projeto é uma oportunidade ímpar de estruturação laboratorial, para introduzirmos a Vigilância em Saúde Ambiental voltada à EBE (Epidemiologia Baseada em Esgoto) na Funed, e contribuirmos ainda mais com a saúde pública no país. A partir dessa experiência, reuniremos esforços para ampliar também nosso escopo analítico de vigilância sanitária, implementando a detecção viral em amostras de alimentos no Lacen-MG”, enfatiza a analista e pesquisadora em Saúde e Tecnologia. Ainda de acordo com a chefe do SCB, esse tipo de monitoramento pode detectar o aumento da carga viral aproximadamente 15 dias antes da alta de casos, permitindo ações de saúde pública e medidas de prevenção oportunas.

O conhecimento adquirido durante o treinamento será agora repassado aos servidores do Serviço de Ciências Bioquímicas (SCB) e do Serviço de Microbiologia de Produtos (SMBP) da Funed. Para o chefe da Divisão de Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa), Kleber Baptista, ter a participação de equipes tecnicamente qualificadas nas áreas de Microbiologia e Biologia Molecular faz com que a Fundação saia à frente nesse projeto. “A Funed será capaz de realizar o monitoramento do esgoto e águas residuais de todo o estado, inclusive de cidades que não possuem saneamento básico e tratamento de esgoto”, destaca. Kleber explica ainda que o próximo passo é realizar um alinhamento com a Vigilância Estadual, para definir os pontos de coleta em áreas estratégias e as condições da coleta das amostras.

“Esse é o primeiro projeto de monitoramento ambiental que, após implantado, possibilitará adaptações na metodologia para detecção de outros patógenos no esgoto e águas residuais. Assim, nossa expectativa após a implantação da metodologia nos laboratórios é que seja possível ampliar o monitoramento para outros agravos, como poliomielite, monkeypox, bactérias resistentes a antibióticos, entre outros”, complementa a chefe do SCB, Daniela Peralva.

Já de acordo com a chefe do SMBP, Roberta Caetano, um dos grandes desafios da vigilância é prevenir as ocorrências de doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA). “Com a inclusão do diagnóstico de detecção viral de doenças entéricas no escopo analítico nos Laboratórios do Lacen-MG, os dados obtidos serão importantes para subsidiar as ações estratégicas na elucidação dos surtos ocorridos em Minas Gerais, com a perspectiva de sermos mais um centro colaborador do Brasil nesse tipo de diagnóstico”, ressalta.