Funed participou de evento sobre vigilância laboratorial da coqueluche

Em setembro de 2022, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) foi convidada para participar do Workshop de Diagnóstico Laboratorial da Coqueluche, promovido pelo Instituto de Diagnóstico e Referência Epidemiológica (InDRE), no México. A convenção faz parte de um projeto criado em 2021 pela Sociedade Americana de Microbiologia (ASM) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em colaboração com a Escola de Medicina de Harvard do Hospital Brigham e Women´s (BWH) e Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), e visa colaborar com laboratórios de referência selecionados no Brasil e no México e suas respectivas redes.

O evento ocorreu entre os dias 19 e 23 e teve como objetivo incentivar melhores práticas em laboratório, estabelecer propostas de trabalho consistentes com a ampliação do conhecimento sobre a infecção por coqueluche e falar sobre a importância da padronização dos testes referentes à doença. Carmem Faria, chefe do Serviço de Doenças Bacterianas e Fúngicas do Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (SDBF/Lacen-MG) da Funed, foi a representante da Fundação no treinamento.

A coqueluche é uma doença de transmissão respiratória que acontece principalmente na primavera e no verão e acomete crianças e adultos. A doença não tratada pode evoluir para complicações pulmonares, como pneumonia, e neurológicas, como convulsões e encefalopatia, que podem levar a óbito, principalmente em recém-nascidos. Por possuir sintomas semelhantes aos de outras doenças respiratórias, é de grande importância que o diagnóstico correto seja obtido o quanto antes.

Atualmente, a Funed realiza os diagnósticos por meio do isolamento da Bordetella pertussis (padrão ouro) e do exame de qPCR (PCR em tempo real), sendo o único laboratório público que realiza a cultura em todo o estado e o único laboratório público que realiza o diagnóstico por biologia molecular. Embora existam kits comerciais para pesquisa de anticorpos (exames sorológicos) e que são ofertados por alguns laboratórios privados, a sorologia não é reconhecida pelo Ministério da Saúde para diagnosticar casos suspeitos da coqueluche.

De acordo com Carmem, o Workshop foi fundamental para o fortalecimento da Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública e para a melhoria da vigilância laboratorial da coqueluche no Brasil. “Além disso, foi discutida a necessidade de padronização de testes para pesquisar a sensibilidade da Bordetella pertussis aos antibióticos utilizados no tratamento e avaliar se a intervenção atual ainda é eficaz. Na atualidade, não há padronização de teste de sensibilidade aos antibióticos e não se sabe, em nível mundial, se as bactérias ainda são predominantemente sensíveis aos antibióticos usados no tratamento da doença”, detalha.

No Brasil, em 2014, foi instituída pelo Ministério da Saúde a vacinação de gestantes contra a coqueluche, para que os anticorpos vacinais da mãe protejam o bebê até que ele atinja a idade para iniciar o esquema de vacinação. Isso porque, entre 2013 e 2015, a doença teve um pico ao redor do mundo. No período em questão, a Funed chegou a receber 1.500 amostras por ano.

Após o início da pandemia da covid-19, houve uma queda tanto nas notificações quanto na demanda por exames. Nos anos mais críticos da pandemia (2020 e 2021), houve uma média de apenas 80 amostras por ano. Em 2022, a Fundação já recebeu quase 200 amostras para diagnóstico da coqueluche. Considerando as possíveis complicações da doença e a importância de se proteger contra ela, é imprescindível que pais, gestantes e profissionais da saúde fiquem atentos às datas de vacinação conforme o calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI).