Servidor da Funed promove capacitação em ferramenta de análises de substâncias químicas em alimentos

A experiência da Fundação Ezequiel Dias (Funed) em ferramentas que contribuem para a análise de substâncias químicas em alimentos foi fator decisivo para a participação da instituição em um treinamento internacional que ocorre neste mês de outubro. O analista e pesquisador Milton Cabral de Vasconcelos Neto, da Divisão de Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa), é um dos capacitadores no treinamento sobre o Simuvima, banco de dados de acesso mundial, que reúne aproximadamente oito milhões de dados analíticos para mais de 300 compostos químicos de interesse sanitário.

Entre os participantes no curso, estão cerca de 20 pessoas, representando os países membros da Organização Internacional Regional de Sanidade Agropecuária (Oirsa): México, Guatemala, Belize, Honduras, Nicarágua, República Dominicana, Panamá, El Salvador e Costa Rica. Em comum entre esse público, está o fato de que todos atuam em órgãos regulatórios, fiscalizatórios e laboratórios vinculados à sanidade e qualidade alimentar, animal e fitossanidade (conceito usado para classificar a proteção de plantas ao ataque de pragas e doenças que atingem a saúde). Um dos objetivos da Oirsa em promover a capacitação é apoiar os países membros no desenvolvimento agrário, fortalecendo seus sistemas. Dentre as medidas, os países são estimulados a participar mais ativamente das discussões internacionais destinadas à saúde humana, por meio da produção e consumo de alimentos seguros, como também das destinadas a práticas comerciais mais justas.

Para Milton Cabral, o convite para ser um dos capacitadores veio principalmente pelo fato de a Funed, como laboratório de saúde pública, fazer parte de um sistema sanitário que tem como princípio proteger e promover a saúde. “Temos buscado trazer para nossa prática de trabalho uma formação em ações complementares, como gestão da informação, submissão de dados ao chamamento público e participação em fóruns técnicos. Isso tem contribuído para sermos referência em questões mundiais e de impacto para a sobrevivência do país, como as relacionadas à saúde pelo consumo de alimentos e práticas comerciais justas”, reforça o pesquisador. Ainda segundo Milton Cabral, a atividade vem ao encontro da proposta atual de ofertar novos produtos pela Divisa, como aqueles destinados à avaliação da exposição a perigos químicos pelo consumo de alimentos. “Essa capacitação apenas reconhece a competência da Funed em variados temas, o que serve de incentivo para fortalecer as estratégias de promoção e proteção à saúde”, completa.

O Simuvima, ou GEMS/Food (nome em inglês da ferramenta), permite aos países submeter dados analíticos de substâncias químicas pelo consumo de alimentos, mundial, regional e também nacional. O treinamento foi realizado pelo pesquisador da Funed, Milton Cabral, e pela professora Flávia Beatriz Custódio, do departamento de Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Tanto eu quanto a Dra. Flávia somos membros ativos e efetivos do Grupo Técnico de Contaminantes em Alimentos no Brasil, coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela elaboração de documentos de interesse nacional. Como participamos como delegados brasileiros nas reuniões internacionais do Codex Alimentarius, temos o interesse em conhecer cada vez mais sobre o tema Avaliação de Risco e as ferramentas utilizadas para conduzir esses processos”, explica.

O curso, que aconteceu nos dias 6 e 7 de outubro e continua nos dias 24 e 27 do mesmo mês, tem como objetivo capacitar os participantes na utilização do Simuvima, de forma a dar autonomia para a inserção de resultados analíticos referentes à presença de substâncias químicas (contaminantes, resíduos de pesticidas e resíduos de medicamento veterinário) em alimentos. Para o chefe da Divisa da Funed, Kleber Baptista, a participação em eventos como esse é de grande relevância. “É necessário termos cada vez mais informações sobre contaminações dos alimentos. Uma vez que existe comércio entre os países, precisamos, enquanto consumidores e laboratório público que realiza análises, ter acesso a diferentes alimentos”, ressalta.