Funed analisa 37 ácidos graxos em óleos vegetais e azeites

Na salada, pizza ou no bacalhau, o azeite é um complemento fundamental para os amantes da boa comida. Mas a qualidade desse produto é o que pode fazer toda a diferença no sabor e na saúde dos consumidores. O azeite, rico em ácidos graxos, é um tipo de óleo vegetal extraído da azeitona, o fruto da oliveira. Trata-se de um alimento antigo e, ao mesmo tempo, clássico da culinária contemporânea. Esse alimento versátil guarda vários benefícios para a saúde, pois age como combustível para células, fonte de energia para o corpo e também para a saúde do coração.

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) realiza a análise do perfil cromatográfico de 37 ácidos graxos em óleos vegetais e azeites em Minas Gerais, como o ácido oleico (ômega 9), ácido linoleico (ácido 6) e linolênico (ômega 3). Esse trabalho é desenvolvido desde 2018, quando a metodologia foi validada e se tornou apropriada para uso, e é realizado pelo Laboratório de Microcomponentes, do Serviço de Química Especializada (SQE), da Divisão de Vigilância Sanitária (Divisa) da Fundação.

A servidora Shirley Chaves – química, mestre em Química e analista em Saúde da Funed – realiza o trabalho sob orientação da pesquisadora e doutora em Ciências de Alimentos, Mariem Rodrigues, e conta que, basicamente, a análise permite responder a duas questões: se os ácidos graxos presentes em óleos vegetais e azeites estão dentro dos parâmetros estabelecidos pela Legislação Brasileira, e se o produto apresenta alguma adulteração. “Essa informação referente à qualidade vai contribuir para que o consumidor tenha uma alimentação mais segura e saudável”, afirma Shirley.

As análises são realizadas por cromatografia gasosa, em um equipamento capaz de fazer uma espécie de “impressão digital” – perfil de ácidos graxos – nos óleos vegetais e azeites, permitindo saber quais ácidos graxos estão presentes e em qual quantidade. A análise começa ainda na bancada, quando os óleos vegetais e azeites passam por um processo químico chamado esterificação. Isso garante que esses alimentos fiquem prontos para serem analisados no cromatógrafo e, após 20 minutos, será registrado o perfil cromatográfico desses ácidos graxos, que ainda precisarão ser cuidadosamente analisados pelos analistas. “Essa etapa final do trabalho consiste em identificar e, posteriormente, quantificar os ácidos graxos em relação a um padrão de referência. Na sequência, os resultados serão confrontados com as referências preconizadas pela Legislação Brasileira”, completa Shirley.

Sob demanda

As análises na Funed são feitas sob demanda da Vigilância Sanitária de Minas Gerais (Visa-MG). O órgão apresenta um cronograma para a Fundação com suas principais demandas por análises, que podem vir das mais variadas fontes, de outras cidades e até de outros estados. É comum óleos vegetais e azeites chegarem à Instituição por meio de denúncias de adulteração, por exemplo.

Os resultados são emitidos por meio de laudos que são enviados à Visa. Se as amostras estão com qualidade de ácidos graxos satisfatória ou insatisfatória, a Visa é o órgão responsável por comunicar ao fabricante e tomar as medidas cabíveis, quando competentes ao órgão.

Umas das funções da Visa é estabelecer os programas de fiscalização e controle em relação à qualidade dos alimentos em geral. Sendo assim, para o futuro, o escopo das análises de ácidos graxos deve ser ampliado na Funed, tendo como objetivo atender às análises demandadas pela Visa e, também dos demais órgãos fiscalizadores. Até final de 2023, a Fundação pretende analisar a presença de ácidos graxos em fórmulas infantis e a quantidade em gordura trans, como batatas fritas, sorvetes e biscoitos, entre outros produtos.