Funed aponta aumento de circulação de SARS-Cov-2 e de outros vírus respiratórios

O retorno do uso da máscara evita não apenas a covid, como outras doenças causadas por vírus que estão circulando mais

De acordo com dados do Boletim Epidemiológico Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerias (SES-MG), nas últimas 24 horas foram confirmados 3.960 novos casos da doença, além de 14 mortes no estado. Em algumas cidades, a máscara já voltou a ser exigida no transporte público, nas instituições de saúde, como a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e nos aeroportos. Embora a população já possa estar cansada de usar a proteção, ela se mostrou eficaz no controle do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios, por isso seu uso segue como medida sanitária mantida. As recomendações da SES-MG estão disponíveis aqui.

De acordo com dados do Boletim Infogripe, referente à semana epidemiológica 46 (13/11/2022 a 19/11/2022), 15 estados apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Na maioria desses estados, o crescimento está presente na população adulta e nas faixas etárias acima de 60 anos, compatível com aumento de internações associadas à covid-19. O crescimento se concentra fundamentalmente entre crianças e adolescentes.

André Felipe Leal Bernardes, referência técnica em vírus respiratórios do Serviço de Virologia e Riquetsioses da Funed, diz que, até o momento, do ponto da Vigilância Laboratorial realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG/Funed), ainda não foi detectado aumento no encaminhamento das amostras destinadas ao diagnóstico molecular. “Entretanto, o percentual de amostras detectáveis para o vírus SARS-CoV-2 apresentou significativo aumento do ponto de vista estatístico, passando de aproximadamente 1,7% para 11,6% nos últimos dias”, afirma.

Progressão de resultados detectáveis no tempo, a partir de amostras encaminhadas ao Lacen-MG em 2022.

Além do expressivo aumento de resultados detectáveis para SARS-CoV-2, observa-se que, dos onze vírus respiratórios pesquisados, nove deles foram encontrados no mês de novembro de 2022. Em outubro, somente um deles não teve sua circulação comprovada por meio dos exames realizados no Lacen-MG/Funed: o vírus Influenza B. “Também é possível registrar o aumento na frequência com que o vírus SARS-CoV-2 foi identificado nas amostras encaminhadas para análise em novembro. O índice era de 2,68%, em outubro, e, nos primeiros 19 dias de novembro, saltou para 30,97%”, acrescenta André.

Distribuição dos Vírus Respiratórios no Tempo. Flu (H1N1): Influenza A H1N1; Flu (H3): Influenza A H3N2; B: Influenza B; Flu A (Não Subtipado): Influenza A positivo não submetido à subtipagem; Flu A (Não Subtipável): Influenza A positivo com subtipagem inconclusiva; VSR: Vírus sincicial respiratório; SARS-CoV-2: Coronavírus responsável pela pandemia; Rino: Rinovírus; Adv: Adenovírus; NL63: Coronavírus NL63; HKU1: Coronavírus HKU1; Boca: Bocavírus; 229 E: Coronavírus 229E; P1: Parainfluenza 1; P2: Parainfluenza 2; P3: Parainfluenza 3, MtpV: Metapneumovírus; Entero: Enterovírus

O analista explica os dados trazem a expectativa de que, no final de novembro e em dezembro, haverá um comportamento parecido com o que foi vivenciado em junho e julho de 2022, ou seja, um aumento significativo na circulação do SARS-Cov-2. Desde o dia 24 de novembro, o Lacen-MG/Funed está realizando o sequenciamento de boa parte das amostras que apresentaram resultados detectáveis para SARS-CoV-2, com a finalidade de elucidar se a variante que está proporcionando esse aumento seria alguma das recentemente descritas pela Rede Genômica (BQ.1 ou BE.9) ou se outro fenômeno ocorre em Minas Gerais. “Outro fator que nos desperta atenção é o retorno da circulação do vírus Influenza A – H1N1 que, após dois anos, foi identificado no Lacen-MG/Funed em quatro amostras de pacientes de áreas geográficas distantes do Estado de Minas Gerais (Diamantina, Ribeirão das Neves, Divinópolis e Ouro Branco). Atualmente, há baixas coberturas vacinais contra esse agente no Brasil”, explica.

Diante dos dados apresentados, o momento é de fortalecer as medidas de proteção que são simples e eficazes: o uso da máscara, a higienização frequente das mãos e a manutenção do esquema vacinal em dia.