Pesquisadores da Funed realizam estudo sobre circulação de vírus exantematosos no estado

O surto do vírus da varíola dos macacos, também conhecida como mpox, se espalhou globalmente, com o Brasil relatando o segundo maior número de casos, em 2022. O surgimento da doença em áreas não endêmicas suscitou preocupações, principalmente devido à cocirculação de outros vírus exantematosos (grupo de doenças de origem infecciosa caracterizadas por um quadro de exantema, ou seja, manchas na pele, com ou sem febre), como o varicela-zoster e o vírus do molusco contagioso. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) é referência no diagnóstico da mpox, por meio do Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG), em 17 estados do Brasil.

Buscando realizar um diagnóstico diferencial preciso da varíola dos macacos, durante o surto em curso em Minas Gerais no ano de 2022, um grupo* de pesquisadores da Funed realizou um ensaio 5PLEX qPCR**, direcionado ao vírus da varíola, varicela-zoster e vírus do molusco contagioso, para analisar retrospectivamente todas as amostras clínicas que deram negativo para mpox na triagem inicial realizada na Funed.

“Durante o estudo, conseguimos avaliar a cocirculação de outros vírus, juntamente com a varíola dos macacos, incluindo o vírus varicela-zóster, o vírus do molusco contagioso e outros ortopoxvírus. A importância da investigação é sublinhada pela concentração de casos positivos em áreas populosas, destacando os desafios colocados pelas doenças infecciosas emergentes”, explica Clara Guerra Duarte, uma das pesquisadoras participantes do estudo, que gerou o artigo científico “Differential diagnosis of exanthematous viruses during the 2022 Mpox outbreak in Minas Gerais, Brazil” publicado no Journal of Clinical Microbiology, em maio deste ano.

O estudo analisou 1.175 amostras clínicas recebidas de pacientes com suspeita de infecção por mpox e encontrou uma taxa de positividade de 33,8% (397 amostras) para a doença, usando o ensaio qPCR não varíola. As outras 778 amostras clínicas que estavam negativas para a varíola dos macacos, quando analisadas usando o ensaio 5PLEX qPCR, revelaram que quase 23% (174 amostras) estavam positivas para o vírus da varicela-zoster; 13 amostras continham o DNA do molusco contagioso e outras ortopoxvírus foram encontradas em três amostras clínicas.

A distribuição geográfica dos casos positivos concentrou-se nas mesorregiões mais populosas do estado de Minas Gerais. “Esse estudo destaca os desafios colocados pelas doenças infecciosas emergentes e enfatiza a importância da vigilância epidemiológica e do diagnóstico preciso para permitir respostas oportunas para políticas de saúde pública e cuidados médicos adequados”, destaca Marcos Vinícius, que também participou da pesquisa.

O estudo, realizado em Minas Gerais, segundo estado mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes, utilizou diagnósticos diferenciais, enfatizando a necessidade de resultados precisos. “Esse contexto demográfico amplifica ainda mais a importância da vigilância em saúde, dada a substancial população em risco. Nossa investigação não apenas aborda uma preocupação global, mas também tem implicações críticas para um estado com uma população e uma extensão geográfica tão grandes. No geral, o estudo enfatiza o papel fundamental da vigilância e do diagnóstico preciso na orientação de respostas eficazes de saúde pública e na garantia de intervenções médicas adequadas”, completa Felipe Iani, pesquisador participante.

*Clara Guerra Duarte (Serviço de Toxinologia Molecular/Divisão de Ciência e Inovação/Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento); Felipe Campo de Melo Iani, Marcos Vinícius Ferreira Silva, Talita Émile Ribeiro Adelino, Alana Vitor Barbosa da Costa, Kelly Cristina Magalhães Luiz, Ludmila Oliveira Lamounier, Antônio Carlos Gomes Júnior, Adriana Aparecida Ribeiro, Sara Cândida Santos, Maurício Teixeira Lima, Natália Rocha Guimarães e Luiz Marcelo Ribeiro Tomé (Serviço de Virologia e Riquetsioses/Divisão de Epidemiologia e Controle de Doenças/Diretoria do Instituto Octávio Magalhães).

**A reação em cadeia da polimerase quantitativa (qPCR) é um método usado rotineiramente para a detecção e quantificação da expressão gênica em tempo real. O qPCR multiplex requer o uso de ensaios baseados em sondas, nos quais cada sonda é marcada com um corante fluorescente exclusivo, resultando em diferentes cores observadas para cada ensaio.

Por Nayane Breder/Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento

Veja mais notícias de: Destaque

Publicado em: 09 de julho de 2024 08:50

Última atualização: 09 de julho de 2024 08:52