Funed participa de curso de divulgação da ciência em Juiz de Fora

 

 

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) participou, no dia 22 de novembro, da 6ª edição do Curso Fala Ciência, – capacitação promovida pela Rede Mineira de Comunicação Científica (RMCC). A formação aconteceu no Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e evidenciou a necessidade de as instituições ampliarem o olhar para formas alternativas de divulgar a ciência.

A abertura do evento foi feita pelo Diretor do Centro de Ciências da UFJF, Eloi Teixeira, que falou sobre o início da construção do Centro de Ciências, inaugurado em 2006 com pouquíssimos recursos, mas que foi se formatando aos poucos até alcançar os moldes atuais – estrutura com planetário, observatório astronômico, sala de exposições e centro de convenções. Eloi também apresentou as atividades de divulgação feitas nas comunidades, envolvendo alunos e professores de diversas escolas.

A trajetória narrada pelo professor demonstrou que, muitas vezes, um espaço de ciência nasce a partir do sonho e da persistência de alguns profissionais, que batalham para que o projeto se concretize. “Inauguramos este espaço praticamente sem mobiliário e fizemos algumas atividades manuais com os alunos. Aos poucos, o balcão foi ganhando cor, fomos participando de editais de órgãos se fomento, e o Centro foi se construindo”, conta o diretor.

Ao final da fala de Eloi, um aluno deu um depoimento emocionado, contando que foi a partir das visitas nas escolas da comunidade que ele despertou o interesse pela ciência. Hoje, o aluno cursa Física na UFJF e é bolsista de iniciação científica e colaborador do Centro de Ciência.

Natasha Felizi, diretora de divulgação científica do Instituto Serrapilheira, fez a segunda apresentação da manhã e falou sobre a iniciativa do instituto no apoio à divulgação científica. Ela apresentou o Camp Serrapilheira, ação que ela acredita estar totalmente ligada à missão do Serrapilheira de apoiar a pesquisa científica e iniciativas de fomento e interesse na ciência. “Sabemos que os cientistas modernos já estão preocupados em divulgar seus trabalhos. Entendemos que nem todo cientista precisa ser um divulgador, mas é interessante que o pesquisador se preocupe com a maneira como o seu trabalho vai ser divulgado. Por isso criamos esta proposta, que tem como objetivo central criar uma comunidade muito unida de pesquisadores e divulgadores”, explica.

Natália falou sobre o processo da seleção e das descobertas ao longo da experiência. Além da área da divulgação da ciência, o Serrapilheira também tem chamadas voltadas a apoiar o desenvolvimento da carreira de cientistas nas áreas de ciências naturais, matemática e ciência da computação. A próxima seleção recebe propostas até o dia 14 de dezembro.

A mediação da mesa foi feita pela pesquisadora Zélia Ludwig, física da UFJF e responsável pelo projeto Para todas as meninas na ciência, um dos projetos aprovados na primeira fase do Camp Serrapilheira. Zélia falou sobre o trabalho desenvolvido nas escolas e da importância de se valorizar o trabalho feito no dia a dia. “Sempre fazemos a pergunta nas escolas: quem você acha que é o cientista? Eles nunca falam que eu sou a cientista, por isso estamos trabalhando para mudar esta percepção e esta realidade. É preciso pensar que esse trabalho que fazemos hoje, gerará muitos frutos daqui a alguns anos”, acredita Zélia.

Divulgação e tecnologia

Germana Barata, pesquisadora do programa de pós-graduação em divulgação científica e cultural do Labjor-Unicamp apresentou sua experiência com as mídias digitais na comunicação da ciência. “Temos feito pequenos workshops voltados a pesquisadores para mostrar como eles podem usar as mídias sociais nesse sentido. É importante mostrar a vocação de cada canal e como eles podem trabalhá-lo de forma mais efetiva”. A pesquisadora também apresentou ferramentas baseadas em altimetria que estão sendo usadas por pesquisadores e que ajudam a dimensionar o impacto de seus trabalhos. Elas são baseadas em métricas e dados qualitativos que são complementares às métricas tradicionais baseadas em citações. Eles podem incluir revisão entre pares (mas não se limitam a elas), citações na Wikipédia, em documentos de políticas públicas, discussões em blogs de pesquisa, cobertura da mídia, citações em redes sociais ou em sites como Mendeley. Germana citou a ferramenta Altmetric como exemplo.

A última mesa do encontro seguiu na área da tecnologia, apresentando iniciativas de divulgação científica relacionadas a podcasts, tirinhas e vídeos no YouTube. Tupá Guerra, pesquisadora e podcaster do Dragões de Garagem falou sobre a divulgação científica por meio de podcast e das possibilidades que este tipo de narrativa possibilita. “Divulgar por meio de podcast é uma tendência crescente no mundo. É possível ouvir conteúdo a caminho do trabalho, na academia, lavando louça ou dirigindo, basta que se encontre o nicho desejado. Ainda precisamos vencer o desafio de falar não apenas aos iniciados, mas é uma ferramenta com muito potencial e deve ser considerada”, afirma Tupá.

Marcos Merlin, publicitário do Quadrinhorama/Cientirinhas, falou sobre sua rotina na elaboração das tirinhas, desde o processo de apuração junto aos pesquisadores até as rotinas da produção e publicação do material. Para encerrar o encontro, Vinícius Marangon e Lucas Mitre, estudantes de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentaram o trabalho de divulgação científica feito no Canal Cura Quântica. De forma descontraída, os estudantes falaram sobre a ideia do canal e mostraram que é possível criar conteúdo de ciências com descontração e simplicidade, deixando evidente que é preciso expandir os olhares, as narrativas e as ferramentas de divulgação científica nas instituições.

 

Vivian Teixeira

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