Informar para inovar

A gestão da propriedade intelectual de uma instituição envolve diferentes e complexas fases. Uma dessas etapas está relacionada à organização e divulgação do material produzido na instituição, afinal, se você não conta o que desenvolve, não é possível fazer parcerias e receber apoio.

Esse assunto foi abordado no novo artigo publicado pela equipe do Núcleo de Inovação e Proteção ao Conhecimento da Funed – Nipac, no volume 15 da Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação RBBD, com o título A Gestão da Propriedade Intelectual na Fundação Ezequiel Dias: um rumo à gestão da inovação. Marina Rezende, da Divisão de Extensão e Divulgação Científica e uma das autoras do artigo, explica que o material também tem o objetivo mostrar que a Funed possui um rico acervo, sobretudo de patentes e marcas na área da saúde. Tal material precisa ser organizado de forma a atender aos objetivos para os quais foram idealizados, em paralelo à missão da instituição e às demandas do estado. “Avaliando a forma e o tratamento dado aos materiais pelo Nipac é possível trabalhar de acordo com as características peculiares, de maneira a cumprir o papel de apoio à inovação na Funed”, explica.

A pesquisa destaca que, desde o processo de mentalização, e, posteriormente, de criação de uma tecnologia, são necessários estudos de várias naturezas e de diversas frentes. Nesse espaço, a participação do profissional da informação é muito importante, principalmente no auxílio ao pesquisador pela busca das melhores fontes de informação que contribuam para o estudo em questão. Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, doutorando de Ciência da Informação e bolsista Fapemig que participou da pesquisa, conta que após o desenvolvimento de uma tecnologia é preciso atentar-se para que todos os registros necessários sejam feitos e para que haja uma eficiente gestão da informação, sejam elas impressas ou digitais. Isso é importante para resguardar tanto o pesquisador quanto a instituição, para que estes possam fazer o uso político e econômico da tecnologia. “No caso da Funed, por se tratar de uma instituição pública, é preciso dar um viés social para as tecnologias desenvolvidas, visto que em todo o processo há investimento público aplicado. A sociedade precisa tomar conhecimento dos investimentos da instituição”, defende Edcleyton.

Dessa forma, a Funed buscou estimular o desenvolvimento de Inovação e Tecnologia por meio de uma ferramenta que garanta a organicidade e a praticidade em relação a sua estrutura organizacional: o portfolio de tecnologias. “O portfólio de tecnologias da Funed é muito interessante porque envolve pesquisas de várias áreas do conhecimento, decorrentes da atuação de diferentes pesquisadores”, destaca Marina Rezende.

O portfólio começou a ser construído com o apoio de um edital da Fapemig que previu um modelo de referência para amparar estudos de análise da viabilidade econômica e financeira de projetos de pesquisas, mas o projeto ainda está em processo de desenvolvimento. A metodologia usada foi a ferramenta EVTECIAS, a qual reúne, detalhadamente informações dos projetos de pesquisa desenvolvidos pela Instituição. Para que o trabalho seja concluído, ainda é necessário terminar o levantamento dos projetos institucionais, com ênfase nas especificidades e respectivas informações estratégicas. A partir de então, poderá ser construída a plataforma que auxiliará o uso e o controle das pesquisas desenvolvidas pela instituição. “Com a plataforma concluída, poderemos gerenciar e divulgar a inovação tecnológica produzida pela Funed. O profissional que gerencia esse espaço poderá buscar possíveis interessados em adquirir ou licenciar a tecnologia, ou até mesmo, investir no seu desenvolvimento”, completa Edcleyton.

Para Marina, a conclusão do trabalho trará mais facilidade, agilidade e praticidade em relação à gestão da inovação na Fundação e poderá gerar benefícios econômicos, políticos e sociais para a Instituição, para a população e para o Estado. “As dificuldades financeiras e burocráticas são as maiores barreiras para o desenvolvimento das pesquisas institucionais. Nesse cenário isso é muito complicado porque as pesquisas que geram inovação requerem, em sua maioria, agilidade nos processos decisórios e uso de recursos e materiais de alto custo, o que acaba dificultando o fluxo da inovação, afirma.

Além de Marina Rezende (DEDC) e Edcleyton Silva (bolsista Fapemig), também contribuíram com o artigo Marina Vilaça (Nipac) e Rodrigo Souza Leite – vice-presidência (Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento à época da elaboração do material). Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

Foto: Pixabay

Published in: 4 de fevereiro de 2019 - 14:23