Meningite bacteriana e doença meningocócica

 

Descrição do serviço: realizar análise para o diagnóstico de meningite bacteriana – processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, causado por bactérias. Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por secreção nasal e da garganta (Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae). Já outras bactérias podem se espalhar por meio dos alimentos, como é o caso da Listeria monocytogenes. É importante saber que algumas pessoas podem transportar essas bactérias dentro ou sobre seus corpos, sem estarem doentes. São os chamados “portadores”. A maioria dessas pessoas não adoece, mas ainda assim pode espalhar as bactérias para outros.

Realizar análise para o diagnóstico de doença meningocócica – infecção bacteriana aguda causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Quando se apresenta na forma de doença invasiva, caracteriza-se por uma ou mais síndromes clínicas, sendo a meningite meningocócica a mais frequente delas e a meningococcemia a forma mais grave. Se o médico suspeita de meningite, solicita a coleta de amostras de sangue (Hemocultura e soro) e líquido cerebroespinhal (líquor). O laboratório, então, analisa as amostras para detectar o agente que está causando a infecção. A identificação específica do agente é importante para o médico saber exatamente como deve tratar a infecção.

Os exames realizados na Funed para o esclarecimento diagnóstico de casos suspeitos de Meningite Bacteriana e doença meningocócica são:

Cultura – pode ser realizada com diversos tipos de fluídos corporais, principalmente líquido cefalorraquidiano (LCR), sangue e raspado de lesões petequeais. É considerada padrão ouro para diagnóstico de Meningite Bacteriana e Meningococcemia, por ter alto grau de especificidade. Tem como método o isolamento da bactéria para identificação da espécie, teste de sensibilidade (antibiograma) e posteriormente o sorogrupo, sorotipo e sorossubtipo do meningococo invasivo, e o sorotipo de penumococo e Haemophilus influenzae.

Teste de sensibilidade – Antibiograma – ensaio capaz de medir a susceptibilidade ou resistência de uma bactéria aos antibióticos por meio do espectro de sensibilidade observados na placa de cultura. É, por definição, um teste de sensibilidade in vitro.

Bacterioscopia direta – pode ser realizada a partir do LCR e de outros fluídos corpóreos, normalmente estéreis, e pela raspagem de petéquias. A coloração do LCR pela técnica de Gram permite, ainda que com baixo grau de especificidade, caracterizar morfológica e tintorialmente as bactérias presentes – no caso do meningococo, um diplococo Gram-negativo; do pneumococo, um diplococo Gram-positivo e do Haemophilus influenzae um bastonete Gram-negativo pleomórfico.

Aglutinação pelo látex – detecta o antígeno bacteriano em amostras de LCR e/ou soro. Partículas de látex, sensibilizadas com antissoros específicos, permitem, por técnica de aglutinação rápida (em placa), detectar o antígeno bacteriano nas amostras.

Reação em Cadeia da Polimerase quantitativa (qPCR) – detecta o DNA da Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae presente nas amostras clínicas (LCR e/ou soro). Também permite a genogrupagem dos sorogrupos de Neisseria meningitidis e a genotipagem dos tipos de Haemophilus influenzae. A PCR quantitativa em tempo real (qPCR) é uma modificação da técnica tradicional de PCR, que identifica o DNA alvo com maior sensibilidade e especificidade e em menor tempo de reação.

Mais informações sobre os procedimentos técnicos para coleta de amostras, fluxos laboratoriais, informações sobre conservação e transporte de amostras, bem como detalhamento sobre os principais exames realizados para diagnóstico das meningites bacterianas e meningococcemia encontra-se no Manual de coleta, acondicionamento e transporte de material biológico, disponível no site da Funed.

Como prevenir a meningite bacteriana?

A meningite é uma síndrome que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns destes, existem medidas de prevenção primária, tais como as vacinas e quimioprofilaxia. As vacinas estão disponíveis para prevenção das principais causas de meningite bacteriana. As vacinas disponíveis no calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização são:

  • Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C, fornecida com exclusividade pela Funed ao Ministério da Saúde:protege contra a Doença Meningocócica causada pelo sorogrupo C;
  • Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada):protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite.
  • Pentavalente:protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.
  • BCG:protege contra as formas graves da tuberculose, incluindo meningite.

Quanto às faixas etárias preconizadas para vacinação, recomendamos o acesso ao Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Já a quimioprofilaxia medicamentosa está indicada para contatos de casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae. A equipe médica que acompanha o caso, junto com a vigilância epidemiológica local, são os responsáveis pelas orientações e aplicação da quimioprofilaxia medicamentosa nos contatos.

Outras formas de prevenção incluem higiene pessoal, evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

Valor do serviço: gratuito

Órgãos responsáveis: Funed, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde.

Quem pode utilizar este serviço: todos os usuários do SUS, desde que respeitados os critérios clínicos e epidemiológicos da doença.

Como utilizar o serviço:

1ª etapa: no aparecimento dos primeiros sintomas, o usuário do SUS deve procurar uma unidade de saúde.

2ª etapa: confirmada a suspeita da doença por um profissional de saúde, este irá solicitar o exame.

3ª etapa: a coleta será realizada pela unidade de saúde e o material coletado (amostras de sangue (hemocultura e soro) e líquido cerebroespinhal (líquor)) será encaminhado para a Funed.

4ª etapa: a Funed irá realizar o exame e disponibilizará o resultado via sistema de informação (GAL) para a unidade de saúde solicitante.

5ª etapa: procurar a unidade de saúde onde foi realizada a coleta para buscar o resultado (a responsabilidade da entrega do resultado é da unidade de saúde solicitante).

Quanto tempo leva: a partir do dia em que a amostra é entregue na Funed, os resultados da hemocultura e da qPCR serão liberados em até 13 dias úteis e os resultados da bacterioscopia, cultura e látex serão liberados em até 7 dias úteis.

Em caso de alguma adversidade ou necessidade de realizar algum exame extra para esclarecer o diagnóstico, este prazo poderá ser alterado.

Legislação/documentos: Ficha de notificação/investigação de meningite, do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) ou ficha específica para encaminhamento de amostras.

Dúvidas frequentes:

A Funed faz coleta de amostras?

Não, a coleta de amostras para os exames realizados pela Funed é realizada nas unidades de saúde.

A Funed faz o exame quimiocitológico do líquor?

Não, a execução do exame quimiocitológico do Líquor é de responsabilidade do laboratório local da unidade de saúde que coletou o material do paciente.

A Funed entrega resultados de exames?

Não, o resultado dos exames é enviado pela Funed via sistema de informação (GAL) para a unidade de saúde solicitante.