Mês do Consumidor: Você sabe ler um rótulo?

Serviço de Análise de Rotulagem dá dicas de como escolher um produto pelas informações do rótulo

Neste mês, em que é comemorado o Dia do Consumidor (15/3), divulgamos uma das atividades realizadas na Fundação Ezequiel Dias (Funed) que tem impacto direto nas escolhas feitas na hora de comprar um produto: as informações contidas no rótulo.

O Serviço de Análise de Rotulagem (Sarot), vinculado ao Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG), realiza a avaliação técnica de rótulos de alimentos, saneantes, medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos comercializados no estado, com o objetivo de verificar se as informações apresentadas estão em conformidade com a legislação sanitária e se são claras para o consumidor.

E, com relação aos alimentos, você pode conferir, ao final da matéria, um vídeo com as principais informações que devem ser observadas no rótulo.

Como funciona?
As amostras recebidas na Funed vêm de diversas frentes, tais como:

  • Programas de monitoramento da qualidade celebrado entre a Fundação e a Secretaria do Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
  • Denúncias encaminhadas por órgãos como Ministério Público e pela Polícia Civil.
  • Solicitações de outros Lacen’s.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
  • Demais atores do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS)

Segundo a coordenadora da Divisão de Vigilância Sanitária e Ambiental da Funed, Valéria Vieira, esse trabalho é fundamental para garantir que as informações presentes nos rótulos sejam corretas, completas e transparentes. “A atuação do Serviço de Análise de Rotulagem é um dos elos mais diretos entre o rigor científico da Funed e a segurança cotidiana do cidadão. Isso porque nosso trabalho evita comunicações enganosas e contribui para que o consumidor tenha acesso a dados confiáveis sobre os alimentos que consome, protegendo a saúde coletiva de uma forma geral”, reforça Valéria.

Segundo a analista e pesquisadora do Sarot, Flávia Coimbra, atualmente o setor analisa mais de três mil ensaios de rotulagem por ano, sendo aproximadamente 70% referentes a alimentos “Isso permite uma visão bastante concreta sobre o que de fato está presente no mercado, incluindo desafios na aplicação da legislação, possíveis inconsistências normativas e situações que podem gerar interpretações divergentes”, frisa.

Rotulagem de alimentos
Além da análise técnica, o Serviço também participa de ações de educação em saúde, como palestras, eventos e produção de materiais informativos, que ajudam a população a compreender melhor as informações presentes nos rótulos. “Essas iniciativas são especialmente importantes para estimular a leitura do rótulo e favorecer a identificação de alimentos ultraprocessados e de produtos com alto teor de nutrientes críticos, como açúcar, sódio e gorduras saturadas”, afirma a também analista e pesquisadora do Sarot, Camila Vieira.

As palestras do Funed na Escola, programa do Serviço de Popularização da Ciência, têm como tema central a alimentação saudável e explicam as diferenças entre as três categorias de alimentos: in natura, processados e ultraprocessados.

“A abordagem é adaptada de acordo com a faixa etária dos alunos, utilizando linguagem acessível e atividades interativas para mostrar quais alimentos devem ser priorizados na alimentação, quais devem ter o consumo moderado e quais devem ser evitados”, explica Camila. Ainda segundo a pesquisadora, a iniciativa também busca estimular que os estudantes compartilhem o conhecimento adquirido com suas famílias, ampliando o alcance das informações sobre alimentação saudável e consumo consciente de alimentos.

Outras frentes
O Sarot também colabora na elaboração de normativas, participa de consultas públicas e promove treinamentos técnicos para profissionais da Vigilância Sanitária e para outros Lacen’s, contribuindo para o fortalecimento das ações de controle sanitário e para a promoção de escolhas alimentares mais conscientes pela população.

Em 2019, o Serviço, juntamente com outros laboratórios da Divisa, participou do processo regulatório referente à rotulagem nutricional frontal. A medida, estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem como objetivo tornar a informação mais visível e permitir que a população identifique, de forma rápida, produtos com composição nutricional menos favorável. O modelo escolhido pela Agência foi o símbolo de lupa, que indica o alto teor dos nutrientes açúcar adicionado, sódio e gorduras saturadas.

Atualmente, o setor continua contribuindo ao realizar a verificação da conformidade da rotulagem frontal nos rótulos dos alimentos, avaliando se a presença da lupa está de acordo com os critérios estabelecidos na legislação. “Esse trabalho contribui para fortalecer a implementação da rotulagem nutricional frontal e ampliar o acesso da população a informações claras e de fácil interpretação, beneficiando a tomada de decisão dos consumidores, especialmente diante do consumo crescente de alimentos ultraprocessados”, avalia Daniella Guimarães, que também atua como analista e pesquisadora do Sarot.

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Publicado em: 27 de março de 2026 15:53