Funed é novamente finalista no Prêmio Inova Minas

Pelo segundo ano consecutivo, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) é finalista no Prêmio Inova Minas Gerais, realizado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG). Ao todo, 18 iniciativas foram selecionadas para votação popular, sendo duas delas do servidor Job Alves, do Serviço de Doenças Parasitárias (SDP), do Instituto Octávio Magalhães (IOM).

Os títulos dos trabalhos do pesquisador da Funed são: “Drone e câmera térmica contra a febre amarela” e “Mais acesso e menos dor no diagnóstico!”, e fazem parte da categoria Ideias Inovadoras Implementáveis. Para Job, ambas as iniciativas nasceram pela busca de soluções para problemas que podem ter grande impacto sobre o diagnóstico e controle de doenças que afligem a população, como a febre amarela e a leishmaniose. A próxima etapa do prêmio consiste na votação popular, do dia 7 a 24 de novembro, pelo Aplicativo MG App ou pelo site www.cidadao.mg.gov.br.

Leishmaniose
A doença é causada pelo protozoário do gênero Leishmania. Acerca  dos motivos que levaram ao desenvolvimento do projeto “Mais acesso e menos dor no diagnóstico!”, o pesquisador Job Alves conta que as leishmanioses são doenças disseminadas e negligenciadas em nosso país. “Só para se ter uma ideia, a letalidade da forma visceral pode ser maior que a infecção por ebola, se não houver tratamento, chegando próxima a 100%”, revela.

Já as formas cutâneas, causam úlceras crônicas na pele e que, em muitos casos, permanecem sem diagnóstico por meses ou anos, causando grande sofrimento aos infectados. O pesquisador explica que, atualmente, os fluxos de diagnóstico da doença incluem exames altamente invasivos como o aspirado de medula óssea e a retirada de biópsias. Além da invasividade, as coletas dessas amostras exigem centros médicos especializados, médicos e anestesistas não disponíveis na maioria dos municípios. “A proposta dessa iniciativa é reduzir em 99% a necessidade de coleta de medula óssea e em 100% a coleta de biópsia para o diagnóstico das leishmanioses”, revela.

Para isso, foram realizados dois estudos. O primeiro foi uma profunda avaliação retrospectiva de cerca de 30 mil ensaios realizados ao longo de 10 anos para o diagnóstico da leishmaniose visceral na Funed. O pesquisador conta que o estudo permitiu avaliar a acurácia de cada ensaio e o método disponível, e propor um fluxo padronizado para o diagnóstico, levando em consideração não somente a acurácia, mas também a praticidade, rapidez, estado imunológico e idade dos pacientes com suspeita de leishmaniose visceral. “Dessa forma, conseguimos um fluxo que reduz em cerca de 99% a necessidade de exame em medula óssea, que foi substituído pelo teste rápido, PCR em sangue e repetição de exames sem perda de acurácia, e ainda melhorando o acesso ao diagnóstico e reduzindo os custos para o Estado”, enfatiza Job Alves.

Já para a leishmaniose cutânea, foi desenvolvida uma técnica de extração do DNA da Leishmania sp. diretamente de lâminas de escarificação com altíssima sensibilidade, detectando até mesmo o DNA de Leishmania sp. rompidas que não são visualizadas no exame direto. A PCR em biopsia hoje tem positividade de cerca de 27% dos pacientes com diagnóstico negativo no exame direto. “A técnica desenvolvida por nós, chamada de L-PCR, alcançou 35% de positividade em amostras negativas no exame direto, reduzindo a necessidade de realização da biópsia”, comemora.

O servidor do SDP conta ainda que as amostras de escarificação (raspado de lesão) utilizadas na técnica L-PCR são minimamente invasivas e não precisam de médicos ou anestesia para serem coletadas, reduzindo os custos e aumentando o acesso ao diagnóstico. “O artigo que irá apresentar os dados do estudo da L-PCR e proposta de fluxo para a leishmaniose cutânea já está sendo escrito e esperamos que, em breve, essa proposta também seja discutido com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e com o Instituto René Rachou (FioCruz-MG)”, sinalizou Job Alves.

Foto representativa da PCR no raspado de lâmina de escarificação (L-PCR). Essa técnica foi desenvolvida para substituir o uso de biopsia no diagnóstico da leishmaniose cutânea – Iniciativa “Mais acesso e menos dor no diagnóstico”

Febre amarela
No caso da febre amarela, Job conta que o difícil acesso às áreas que podem conter focos da doença foi o principal fator que motivou o desenvolvimento do projeto “Drone e câmera térmica contra a febre amarela”. “Em regiões com suspeita da circulação do vírus, os agentes de endemias do SDP e outros profissionais municipais precisam desbravar áreas de mata, muitas vezes inóspitas, buscando localizar símios, como micos e macacos, possivelmente infectados para coleta de amostras e vetores”, explica.

O pesquisador conta ainda que esse trabalho comumente requer semanas e, frequentemente, termina sem sucesso, pois quando os símios infectados são encontrados, podem já estar em estado avançado de decomposição, quando já não é possível detectar o vírus amarílico, e longe do bando onde estão os possíveis mosquitos vetores. “A solução veio da ideia de utilizar drones com câmeras térmicas para localizar os grupos de símios de forma muito mais ágil, direcionando a região de trabalho, diminuindo os riscos para os profissionais envolvidos nas coletas de amostras, reduzindo custos e, consequentemente, auxiliando no controle da febre amarela de forma mais eficiente”, destaca. A iniciativa depende da aquisição dos equipamentos.

Imagens ilustrativas do uso de drone com câmera térmicas para localização de animais na selva

 

 

Uma vez identificado o local com suspeita de circulação do vírus da febre amarela, são instaladas armadilhas no local para capturar os mosquitos vetores. Após capturados, os mosquitos são identificados por gênero e espécie e é feito o exame molecular para verificar a presença dos vírus

 

Trabalho premiado
No último ano, o servidor Job Alves foi premiado com a ideia de criar um auxilio diagnóstico remoto para a malária e o ensaio de proficiência 3D. Sobre a iniciativa, ele conta que atualmente a Funed já alcançou quase todos os estados do Brasil com esse ensaio de proficiência fornecido gratuitamente e diversas vidas foram salvas pelo auxílio remoto ao diagnóstico pelo grupo de WhatsApp “SOS malária” que alcança também microscopistas em todo o território nacional. “A premiação de 2022 me incentivou a escrever novos projetos e fiquei muito feliz ao ver que as outras propostas que inscrevi este ano também foram para a final. Meu desejo é que todas tenham o mesmo fim que a iniciativa sobre a malária, serem implementadas com sucesso e salvem vidas”, reforça.

3 comentários em “Funed é novamente finalista no Prêmio Inova Minas

  • 7 de novembro de 2022 em 19:58
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    Sensacional! Este projeto é muito importante para todos nós!

  • 7 de novembro de 2022 em 17:23
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    Ótima ideias que Deus abençoe vai dar certo!

  • 7 de novembro de 2022 em 15:55
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    Satisfação em ser tia de um estudioso com o job filho

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