Funed participa de oficina sobre malária na região extra-amazônica
De 14 a 16 de setembro, o Laboratório Central de Saúde Pública da Fundação Ezequiel Dias (Lacen-MG/Funed) participou da Oficina de Vigilância de Malária na Região Extra-Amazônica – 2021, organizada pelo Grupo Técnico de Malária do Ministério da Saúde. O Serviço de Doenças Parasitárias (SDP) da Funed participou da oficina, que teve como objetivo disseminar orientações e atualizações referentes às diretrizes técnicas de malária, com foco nos municípios da região extra-amazônica, e compartilhar experiências de vigilância em malária nessa região.
De acordo com o Dr. Job Alves de Souza Filho, referência técnica em diagnósticos parasitológicos e moleculares no SDP, que participou do evento, a pandemia da covid-19 teve um grande impacto sobre a doença. Para ele, isso se deve em parte pela menor circulação de pessoas, que pode ter influenciado na queda dos casos fora de áreas endêmicas, e em parte pela semelhança entre os sintomas que podem gerar falsos resultados de covid-19 em pacientes com malária, com consequente aumento na letalidade por falta de diagnóstico e tratamento.
O pesquisador explica que, apesar dos progressos obtidos no combate à malária, ela ainda é considerada um dos mais sérios problemas mundiais de saúde pública, sendo uma das doenças de maior impacto na morbidade e na mortalidade da população dos países situados nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. “Anualmente, a malária afeta cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, causando mais de 400 mil mortes, a maioria entre crianças. No Brasil, é uma doença comum na região amazônica, contudo, na região extra-amazônica, a letalidade da malária chega a ser 150 vezes maior que na região amazônica devido à falta de diagnóstico e tratamento tempestivo”, afirma Job.
Atualmente, a Funed realiza o exame da malária pela metodologia da gota espessa, considerada padrão ouro para o diagnóstico da malária. “Contudo, devido a sua complexidade, muitos microscopistas apresentem dificuldades em reconhecer as formas das diferentes espécies dos Plasmodium spp., causadores da malária. Nessa oficina, foi apresentado o trabalho do SDP/Funed no desenvolvimento de um inovador ensaio de proficiência 3D para malária (e outros parasitos), que será ofertado gratuitamente para laboratórios da Rede SUS em todo o Brasil”, conta o pesquisador.
Controle dos vetores
De acordo com Job, as regiões onde o vetor da malária (mosquitos do gênero Anopheles sp.) está presente podem ser consideradas áreas receptivas para a doença, e correm o risco de surtos a partir de um indivíduo infectado. Um exemplo recente foi o surto que ocorreu no sul da Bahia (Itabela e Porto Seguro), com início em junho de 2021, em que a partir de apenas um caso, mais de 50 pessoas foram infectadas. “Na oficina, foi levantada a necessidade de uma atualização da Carta Anofélica (documento que orienta acerca do controle desses insetos) em todo o território nacional, particularmente na região extra-amazônica. Essa atualização ajudaria a identificar as áreas com maior risco de ocorrência de surtos, contribuindo para determinar a autoctonia dos casos e o controle do vetor”, explica.
Nesse contexto, o pesquisador apresenta como essencial a existência de uma equipe de profissionais com conhecimentos entomológicos para atuação na vigilância entomológica e no controle de surtos, caso ocorram. “Contudo, muitos desses profissionais estão próximos da aposentadoria e não há previsão de substituição por outros profissionais mais jovens para continuar o trabalho de vigilância entomológica, frequentemente negligenciada. Além da malária, uma equipe de vigilância entomológica capacitada pode atuar em diversos outros agravos, como dengue, febre amarela e leishmaniose, por exemplo”, completa Job.
Capacitação
Além da metodologia da gota espessa, como ferramenta acessória, a Funed realiza o teste rápido imunocromatográfico (TRI). Em Minas Gerais, os TRIs são distribuídos pelo SDP da Funed para todas as regionais de saúde. Entretanto, Job explica que, a realização do TRI não exclui a necessidade de se fazer o exame parasitológico. E, devido à alta complexidade do diagnóstico parasitológico e à falta de profissionais capacitados, o diagnóstico parasitológico requer maior atenção, uma vez que a partir da suspeita clínica, o fechamento do caso e seu devido tratamento deveria ser realizado em até 24 horas, para se evitar mortes e complicações.
As características peculiares do diagnóstico da malária fazem imprescindível a descentralização do diagnóstico. Dessa forma, a Funed tem se tornado referência na capacitação de profissionais. Os cursos oferecidos pela Fundação já capacitaram dezenas de profissionais de Minas Gerais e de outros Estados em cursos presenciais. Além disso, o módulo para Diagnóstico Laboratorial da Malária segue disponível no canal da Funed no YouTube, neste link, que pode seu usado para capacitações on-line.
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Publicado em: 23 de setembro de 2021 11:00
Última atualização: 03 de outubro de 2022 15:34
