Legado de João Carlos Dias

Ex-presidente da Funed incentivou pesquisas que resultaram em avanços para o diagnóstico da doença de Chagas

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) lamenta, com profundo pesar, o falecimento, no dia 31 de dezembro de 2025, de João Carlos Pinto Dias, médico infectologista, pesquisador, professor universitário e ex-presidente da Fundação. Neto de Ezequiel Dias, João Carlos foi um dos maiores especialistas do país em doença de Chagas. Sua trajetória foi marcada por contribuições notórias à saúde pública brasileira e pela formação de diferentes gerações de profissionais da área.

Entre 1991 e 1992, assumiu a presidência da Funed. Durante sua gestão, incentivou pesquisas voltadas ao controle sorológico de doadores de sangue, que resultaram em avanços para o diagnóstico da doença de Chagas, além da implementação de inovações nos laboratórios da Fundação.

Para a professora de inglês, tradutora de artigos científicos e bisneta de Ezequiel Dias, Carolina Dias, o ex-presidente da Funed sempre foi uma pessoa muito responsável, capacitado e prestigiado. “Presente em nossas vidas desde sempre, meu tio João seguiu o trabalho do pai, Emmanuel Dias, e do avô, Ezequiel Dias, chegando a ser presidente da Funed. Ele foi muito admirado e respeitado por onde passava, seja pela imensa dedicação ao seu trabalho ou por ser tão antenado a tudo e a todos, sempre com humildade e generosidade. Tenho um orgulho imenso de ser sua sobrinha e de ter tido essa pessoa incrível em minha vida”, afirma Carolina.

Breve histórico
Nascido em 1938, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), João Carlos demonstrou interesse pela ciência desde a infância. Filho do médico e pesquisador, Emmanuel Dias, e da filósofa, Nícia de Magalhães Pinto Dias, acompanhava o pai em atividades laboratoriais, auxiliando na coleta de insetos, na realização de censos e na coleta de sangue de pacientes. Desde então, passou a se aprofundar de forma contínua nos campos da medicina e da pesquisa científica.
Sua formação acadêmica inclui especialização em doenças infecciosas e parasitárias, com foco na doença de Chagas, além de mestrado e doutorado em medicina tropical.

Na carreira profissional, João Carlos foi contratado como médico pelo Instituto Oswaldo Cruz para atuar no Centro de Estudos e Profilaxia da Moléstia de Chagas (CEPMC), em Bambuí, Minas Gerais. Residiu na cidade por oito anos, período em que deu continuidade ao trabalho iniciado por seu pai, desenvolvendo estudos sobre vigilância entomológica e epidemiológica, além de pesquisas sobre a história natural da doença, por meio do acompanhamento clínico de pacientes.

O médico também promoveu treinamentos para professores da Escola Rural, orientando sobre a identificação dos barbeiros transmissores da doença. Em reconhecimento à sua atuação de destaque e ao papel exercido na saúde pública local, João Carlos recebeu o título de Honra ao Mérito por Serviços Prestados ao município de Bambuí.

João Carlos Pinto Dias deixa um legado inestimável para a medicina, a pesquisa científica e a saúde pública. Sua atuação transformadora nos campos acadêmico, laboratorial e institucional o consolida como um nome que jamais será esquecido pela saúde pública de Minas Gerais e do Brasil.

 

Foto da capa: Portal Dalva Sueli

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Publicado em: 06 de janeiro de 2026 18:42

Última atualização: 07 de janeiro de 2026 10:10